O secretário de Educação, Luiz Castro, em entrevista na sexta-feira, 12, na sede do Governo, não fez a menor questão de esconder que não está nem um pouco preocupado com a greve dos professores marcada para esta segunda-feira, 15. 

Em 3min 58 seg de entrevista, em nem um momento mostrou algum interesse, digamos assim, em acalmar os ânimos, pra lá de incendiados, dos professores.

A poucas horas do movimento, que deve suspender por tempo indeterminado as aulas do ensino fundamental e médio em Manaus e no interior do estado, Luiz Castro preferiu por mais lenha na fogueira:

“Acho que é preciso ter tolerância, não sermos intransigentes. Nós (ele, o secretário) não somos. Ficamos sempre à disposição do diálogo,  dispostos à conversar”, disse.

Depois da pecha – intolerância e intransigência (veja no vídeo) -, o “manda chuva” da Seduc tenta minimizar: 

“É justo que os professores tenham salários maiores; com certeza e eu acho – notaram  dualidade? – que ao longo do governo poderão (os salários) melhorar muito”.

Não há dúvida de que, como quis dizer Luiz Castro, é justo, claro, que os professores sejam tratados com dignidade, tenham melhores salários. 

Pois então que paguem, que façam a reposição salarial, que corrijam a defasagem e deixem a falácia e o sofisma despudorados para as próximas eleições.

Dizer que o reajuste pretendido pela categoria contraria a lei e que, em 100 dias, o governo já fez mais do que outros governos fizeram pela educação no Brasil, é indigno, assim como é indigno o secretário chamar os professores de mentirosos (“professores são agentes do conhecimento e conhecimento tem a ver com a  verdade”, viram?).

A reivindicação dos professores para continuarem em sala de aula é de de 15%, sendo 5% de perdas inflacionárias e 10% de ganho real. O governo concedeu 3,9%.

Qualquer outra coisa como, por exemplo, a União dos Estudantes Secundaristas (UES) ser contra a greve, é ilegítima, não soa a verdade  e nem combina com a realidade da sofrida categoria. 

Portanto, assim como as tais progressões  horizontal e vertical, tudo o mais destoa da urgente necessidade de reposição salarial do professores do Amazonas.