A primeira-ministra britânica Theresa May encontra-se nesta quinta-feira, 21, com representantes dos 27 países da União Europeia para discutir seu pedido de adiamento da data de saída do Reino Unido do bloco (Brexit) para 30 de junho. A prorrogação foram aprovada pelo Parlamento britânico no último dia 14, mas sem definição da nova data.

A União Europeia tende a resistir ao prazo proposto. Em casa, May ainda não conseguiu o apoio do Parlamento ao acordo que negociou e renegociou com os europeus para impedir a saída brusca do Reino Unido. Uma terceira votação do acerto deve ocorrer na próxima semana.

Ao chegar no prédio do Conselho Europeu, o presidente da França, Emmanuel Macron, declarou à imprensa que “uma terceira recusa dos termos de May pelo Parlamento levará o país a uma saída danosa, sem acordo.”

A fala de Macron destoou do tom moderado e diplomático de seus colegas do Conselho Europeu. Na manhã desta quinta-feira, 21, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, sugeriu que um novo encontro entre os líderes do bloco deve ser realizado antes da retirada do Reino Unido, caso a primeira-ministra seja novamente derrotada na terceira votação de seu acordo para saída da União Europeia.

A única data disponível para a reunião seria quinta-feira, 28, um dia antes da data original de início doBrexit.

Merkel também comentou o apelo de May ao Artigo 50, que permite adiar a saída de membros da União Europeia. A governante disse a parlamentares alemães que os líderes europeus “concordariam de início” com um adiamento em curto prazo “se recebessem uma resposta positiva do Parlamento britânico ao acordo de saída”. Ela se alinha às declarações de ontem do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

“De acordo com as consultas que conduzi nos últimos dias, acredito que uma extensão curta será possível, com a condição de uma votação favorável sobre o acordo de saída na Câmara dos Comuns”, disse Tusk. “A questão sobre a duração dessa permanência extra também está aberta.”

Segundo Tusk, a proposta de May de postergar o Brexit para 30 de junho tem seus méritos, mas cria uma série de questões de natureza legal e política. Ele se refere à possível participação do Reino Unido nas eleições do Parlamento Europeu, marcadas para o dia 23 de maio.

Os cargos do órgão foram reconfigurados para contemplar 27 países membros, com a exclusão do representante britânico. Caso acatem a prorrogação almejada por May, de três meses, a União Europeia terá de reintegrar seu vigésimo oitavo participante às pressas. Em uma reunião na noite de quarta-feira 20, embaixadores do bloco econômico concordaram que a data ideal para uma nova tentativa de Brexit seria 22 de maio.

Na manhã desta quinta-feira, 21, Tusk já postou uma foto de seu encontro bilateral com May antecedendo a reunião principal.

Em sua chegada a Bruxelas, May não descartou totalmente a possibilidade de uma saída sem acordo no dia 29 de março, mas pediu novamente que os parlamentares britânicos apoiem a terceira votação de seus termos. A expectativa dos líderes europeus é de uma nova derrota da primeira-ministra, que insiste em reapresentar uma versão quase inalterada do Brexit a um Parlamento insatisfeito.

Ao impor uma terceira votação na próxima semana, ela desafia até mesmo o presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, que descartou a validade de uma nova votação, a não ser que houvesse mudanças significativas em relação às propostas já rejeitadas.

Enquanto isso, mais de um milhão de britânicos assinaram uma petição para pedir a permanência do Reino Unido na União Europeia. A mobilização virtual começou na tarde de quarta-feira 20 e vem angariando apoio rapidamente.

Quase três anos depois do referendo público, de acordo com o censo do NatCen, 40% dos que votaram a favor do Brexit agora acreditam que a decisão será prejudicial para os britânicos. Já entre os que votaram pela permanência na União Europeia, 83% estão pessimistas sobre o futuro fora do bloco.

(Veja)