O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) disse em entrevista à Record TV que foi ao ar nesta 6ª feira (18.jan.2019) que o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) agiu “de forma ilegal” no caso Fabrício Queiroz. Disse ser contra o foro privilegiado, mas recorreu ao fato de ter sido eleito senador em sua defesa. Não foi confrontado.

A Record pertence a Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, que durante a campanha de 2018 declarou apoio a Jair Bolsonaro.

No início da entrevista, Flávio agradeceu à emissora: “Muito obrigada pela Record, por me dar a oportunidade de resgatar a verdade sobre os fatos, diferente do que tem acontecido nos outros veículos de comunicação”. A Record tem sido privilegiada, com acesso facilitado ao governo Bolsonaro. No domingo, terá uma entrevista com a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro disse que é investigado: “Descobri que meu sigilo bancário havia sido quebrado, também de forma ilegal, sem a devida autorização judicial. O Ministério Público sequer buscou a jurisdição competente, o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro”, disse o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro.

Nesta 6ª, o MP-RJ negou que o senador eleito seja investigado, tampouco que tenha tido os sigilos fiscal ou bancário violados .

Flávio disse ser contra o foro privilegiado, mas que é preciso respeitá-lo.

“Eu sou contra [o foro], mas não é uma escolha minha. O foro é uma prerrogativa de função. Querendo ou não querendo, eu preciso entrar com o remédio legal no órgão competente”, disse.

Senador eleito não é confrontado pela TV Record

O deputado estadual utilizou os 8 minutos de entrevista para se defender. Pouco esclareceu. Não foi questionado sobre:

  • as atividades de Nathália Queiroz, filha de Fabrício Queiroz, que exercia a atividade de personal trainer no Rio enquanto era assessora de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, em Brasília. Nathália também trabalhou no gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro);
  • o porquê de não comparecer aos depoimentos no Ministério Público –embora diga-se “o maior interessado em esclarecer isso tudo”;
  • o porquê de ele recorrer ao foro se o próprio senador eleito se diz contra a prerrogativa. A repórter menciona, mas é interrompida e não retorna ao questionamento

Flávio respondeu a 6 perguntas. A entrevista durou 8 minutos.

Coaf identificou movimentações suspeitas de Flávio

O Jornal Nacional noticiou nesta 6ª feira que 1 novo relatório da Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indicou movimentações bancárias suspeitas nas contas Flávio Bolsonaro. O senador eleito até então não era alvo na investigação do caso que envolve seu ex-assessor Fabrício José Carlos de Queiroz.

O telejornal teve acesso com exclusividade a 1 trecho do relatório. No documento, há informações sobre movimentações financeiras de Flávio Bolsonaro no período de junho a julho de 2017.

Em 1 mês, foram quase 50 depósitos em dinheiro numa conta do filho mais velho de Jair Bolsonaro. São 48 depósitos em espécie na conta do senador eleito do Rio de Janeiro –todos concentrados na agência bancária que fica na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). O valor sempre era o mesmo: R$ 2 mil.

Em 5 dias foram depositados R$ 96 mil:

  • 9 de junho de 2017 – 10 depósitos no intervalo de 5 minutos, das 11h02 às 11h07;
  • 15 de junho de 2017 – mais 5 depósitos, feitos em 2 minutos, das 16h58 às 17h;
  • 27 de junho de 2017 – outros 10 depósitos, em 3 minutos, das 12h21 às 12h24;
  • 28 de junho de 2017 – mais 8 depósitos, em 4 minutos, das 10h52 às 10h56;
  • 13 de julho de 2017 – 15 depósitos, em 6 minutos.

De acordo com o Coaf, não foi possível identificar quem fez os depósitos. Ainda assim, o fato de terem sido feitos de forma fracionada desperta suspeita de ocultação da origem do dinheiro.

Novo relatório foi 1 pedido do MP-RJ

O novo relatório da Coaf foi solicitado pelo Ministério Público do Rio, depois que o órgão percebeu movimentação financeira atípica de assessores parlamentares da Alerj.

A suspeita é que funcionários dos gabinetes devolviam parte dos salários, numa operação conhecida como “rachadinha”.

O MP pediu o documento em 14 de dezembro e foi atendido no dia 17 –1 dia antes de Flavio Bolsonaro ser diplomado senador. Na data, o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro não tinha foro privilegiado como senador da República.

Ainda assim, Flávio usou o argumento para pedir ao STF a suspensão temporária da investigação do caso na 5ª feira –concedida pelo ministro Luiz Fux, plantonista do STF.

Flávio retorna aos trending topics

Pouco depois do final da entrevista, o Twitter exibia o nome “Flavinho” na coluna de trending topics. Às 22h45, a rede social contabilizava 4.550 tweets sobre o assunto. (Poder 360)