Agência Brasil – O Brasil já provou que é possível investir na área social, como fizeram durante a crise internacional de 2008 as instituições públicas financeiras, mas é preciso “crescer para inovar, criar trabalho de melhor qualidade e se colocar de novo no topo entre os países emergentes, como fez a Coreia do Sul”. A avaliação foi feita hoje (19) pelo superintendente executivo da Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE), Marco Antonio de Araujo Lima, em entrevista à Agência Brasil.

Responsáveis por 51% do saldo das operações de crédito efetuadas no país, as 29 instituições filiadas à ABDE integram o Sistema Nacional de Fomento (SNF), cuja participação nos ativos financeiros brasileiros atingiu 46% no ano passado, de acordo com dados do Banco Central.

Para que o Brasil faça a passagem efetuada pela Coreia do Sul, Marco Lima disse ser necessário criar condições para o investimento em infraestrutura e, principalmente, em inovação. “Com investimento, virá o crescimento”, disse. Destacou que o investimento em inovação deve ser feito por empresas de todos os portes, porque essa é a condição para aumentar a produtividade e a competitividade nacional.

Segundo Marco Lima, o conjunto de associados da ABDE – entre os quais se destacam o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal – tem a expertise necessária para fazer todo esse processo. “Já fez”, salientou, lembrando que entre os anos de 1930 a 1980, o Brasil cresceu a taxas de 7% e 8% ao ano, similares às taxas atuais da China. “O que precisa agora é dar o salto”, disse ele.

O superintendente executivo da ABDE analisou que é possível crescer com estabilização. “É preciso agora dar esse click, ter vontade para fazer esse processo”. Reiterou que tanto o setor financeiro público, como o privado, têm estrutura para fazer esse movimento de investimento para recuperar o crescimento. Lima avaliou que há espaço para crescimento do financiamento do investimento, por parte de todos os atores do mercado, sejam públicos ou privados, incluindo nesse processo o mercado de capitais.

A gerente de Estudos Econômicos da ABDE, Fernanda Feil, salientou, no lado social, o instrumento do microcrédito do SNF. O saldo de operações do Sistema Financeiro Nacional (SFN) como um todo foi cerca de R$ 5 bilhões, em 2013, e ela acredita que a tendência das instituições financeiras de desenvolvimento, neste ano, será ampliar a participação no investimento do microcrédito e da inovação, em todo o país. “Os bancos e as agências de desenvolvimento têm como missão básica o fomento ao desenvolvimento, tanto social, como econômico e ambiental”.

O lucro líquido das 29 instituições financeiras de desenvolvimento associadas à ABDE representou 46% do lucro líquido total do SFN, em dados de setembro do ano passado, e Fernanda Feil informou que desde 2008 a média de inadimplência das instituições financeiras públicas tem sido inferior à das instituições privadas. Dados do Banco Central mostram que a taxa de inadimplência das instituições públicas foi 1,9%, no ano passado, contra 4,9% das instituições financeiras privadas. A inadimplência total do SFN, em 2013, atingiu 3,4%.