A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgaram nesta segunda-feira uma nota de repúdio à publicação do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais sobre a imprensa. Bolsonaro compartilhou ontem uma acusação falsa sobre a jornalista Constança Rezende, do jornal “O Estado de S. Paulo” , com o objetivo de atacar a cobertura do caso que envolve o filho, o senador Flávio Bolsonaro , e o ex-assessor dele, Fabrício Queiroz . O episódio, para a Abraiji e a OAB, configura “um novo ataque público à imprensa”.

Constança foi alvo de uma acusação falsa publicada pelo site “Terça Livre”, e republicada por Bolsonaro, após a divulgação de uma conversa telefônica em que ela supostamente teria dito que a apuração do caso Queiroz teria como intenção “arruinar Flávio Bolsonaro e o governo”. A gravação do diálogo, no entanto, não inclui o trecho mencionado pelo portal e pelo presidente.

Para a Abraji e a OAB, o caso “mostra não apenas descompromisso com a veracidade dos fatos” por parte de Bolsonaro, como também “o uso de sua posição de poder para tentar intimidar veículos de mídia e jornalistas”. As duas organizações consideram a atitude “incompatível com o discurso de defesa da liberdade de expressão” e destacam que a imprensa livre é um dos pilares da democracia, abalado “quando um governante mobiliza parte significativa da população para agredir jornalistas e veículos”.

O texto também pontua que os ataques de internautas à repórter começaram antes mesmo de Bolsonaro levar o tema às redes sociais. O objetivo dos apoiadores do presidente, para a Abraji e a OAB, é “alimentar a narrativa governista de que a imprensa mente quando se refere às investigações sobre as movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz”. A conta do ex-motorista de Flávio Bolsonaro entraram no radar do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) após movimentações que somaram R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017, valor incompatível com os rendimentos dele enquanto funcionário da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). (O Globo)