O ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, que teve ontem (24) sua pena por exploração sexual de menores extinta pelo juiz Luís Carlos Valois, da Vara de Execuções, se manifestou nesta quarta-feira através de uma "carta aberta aos amazonenses" postada em sua página do Facebook onde afirma ter sido alvo de covardes e desumanos ataques políticos.

Com relação as acusações feitas contra ele, Adail nega todas e diz ter sido alvo de uma "produção cinematográfica" e atribuiu as denúncias na imprensa de envolvimento com prostituição infantil a “donos de jornais que têm rabo preso com políticos”.

Em sua defesa, Adail diz que o fato da Justiça ter extinguido sua pena é a maior "prova" de que ele não cometeu crime algum. "Ou seja, nunca abusei sexualmente ninguém!!! Se o tivesse, não teria esse direito (ao indulto). Está claro! O que mais precisam?", alega ele, sem citar que a condenação é mantida e somente a pena está extinta judicialmente.

Com relação a seus adversários políticos de Coari, o ex-prefeito afirma eles foram usados por aliados mais fortes. "Praticamente tudo o que existe em Coari de progresso é fruto do planejamento e esforço de minha administração", diz Adail na carta, afirmando que todo alegado de crescimento do município e de sua popularidade o fizeram alvo de perseguição dos políticos.

Adail se despede dizendo que "nasceu para servir" e que vai continuar fazendo e manda um recado: "Me aguarde Coari. Estou chegando. Me aguarde Amazonas, quem te faz mal não terá forças para resistir ao teu desejo de mudança".

Depois de todos estes anos, esta será a primeira vez que falarei. Este será um desabafo sobre os mais covardes e desumanos ataques políticos, emocionais e físicos a que fui submetido desde 2009. Peço tão unicamente que me dê esta oportunidade de ser lido.

Um dia após a decisão da extinção total de todas as acusações, abro um dos jornais locais e nele está estampada uma manchete maldosa, seguida de jogos de palavras que induzem ao público a me ver como um monstro. O jornal insiste em tentar me enquadrar sob acusações que nunca foram provadas. E como nunca foram provadas, me prenderam na marra para reforçar ainda mais pela própria imprensa uma culpa que não existe. E agora que estou livre, querem permanecer na mesma covardia.

Você já percebeu que nenhum desses veículos me chama de estuprador? Sabe por quê? Por saberem que isto não é verdade e que nem ao menos isto existe no processo. Mas a um custo milionário, usam palavras como abuso, dentre outros, para reforçar a imagem de um monstro. Que covardia.

Quem montou essa farsa porém, não foram os jornalistas, senão os empresários que pagam seus salários e tem rabo preso com políticos que não cansam de maltratar o povo amazonense. Manaus é terra de muro baixo. Há interesses milionários que não poderiam ser interrompidos por um simples prefeito que estava revolucionando uma cidade desconhecida no interior do Amazonas.

Grande parte da imprensa embarcou nessa, enganada por uma produção cinematográfica com um único fim: me tirar do páreo político.

Muitos até acreditam que isto tenha a ver com meus adversários em Coari. Ledo engano. Até eles foram usados. A estrutura que usaram contra mim, gente do interior não tem acesso. Isto foi construído um degrau acima.

Fui prefeito de Coari por dois mandatos. Quando assumi, era só mais um município abandonado no meio do Amazonas. A cidade estava arrasada pelas administrações anteriores e mostrei que com decisões técnicas e investindo seriamente, a população teria a chance de experimentar o mais puro progresso com serviços públicos de qualidade.

Você já percebeu que ninguém fala mal da minha administração? Que até quem politicamente está em lado oposto reconhece que fui o melhor prefeito da história de Coari? Isto não é à toa, pois é a verdade. Apliquei os recursos de Coari para ter uma saúde que nem mesmo a capital do Estado possuía. Na educação a mesma coisa. Na cultura do mesmo modo. Enfim. Praticamente tudo o que existe em Coari de progresso é fruto do planejamento e esforço de minha administração.

Coari passou a ser conhecida. Setores da imprensa disputavam espaço para cobrir os eventos e ações promovidas por nossa administração. Todos queriam trabalhar em Coari. Organismos internacionais reconheciam nossos projetos como exemplo para o mundo. Com isto, meu nome também ganhou proporções cada vez maiores. Isto assustou alguns líderes políticos regionais que não se esquivam de se comparar a Deus. Eles se acham acima do bem e do mal, mas na verdade são incompetentes e não sabem nem ao menos escrever direito.

Ao ver que ao invés de desculpas, eu dava para o povo o progresso e a cidadania há muito roubada, temeram que a população também lhes cobrasse o que eu estava fazendo por Coari. E como não tinham trabalho para mostrar, se submeteram a esse artifício covarde, usando os veículos de imprensa e até mesmo setores da justiça que tinha envolvimento com essas lideranças.

Como as acusações eram absurdas, cuidei tão somente de me defender na justiça, onde imaginei que elas facilmente seriam esclarecidas. Mas o que fazem? Colocam o processo em segredo de justiça, para que ninguém saiba das falhas do processo e se reforce ainda mais as dúvidas da sociedade sobre minha pessoa. Você está começando a entender?

Quando fui ver, já era tratado como um monstro. Veja, não sou político de carreira, sou um empresário. Entendo de números, projetos, obras. Não entendo dessas coisas de imagem, imprensa, etc. Ao invés de somente me concentrar em munir a justiça do máximo de informações, deveria ter rebatido todos os ataques. Mas como confiava de que aquilo era tão absurdo que não se sustentaria, acabei sendo linchado publicamente.

Quando comecei a falar com os setores da imprensa, não demorou muito inventaram uma prisão relacionado a um suposto desconhecimento de onde eu morava. Sendo que todos sabiam onde eu estava e sempre pronto a esclarecer tudo.

Mas era necessário me silenciar. Se eu falasse, a fragilidade dessas acusações viriam à tona e os verdadeiros mandantes destes ataques seriam desmascarados e impedidos de assumir o poder.

Os mesmos que me atacam, são os mesmos que batiam em minha porta pedindo dinheiro e eu não me dobrava. Como diria o Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite 2: “O sistema é f…”.

O sistema queria a minha cabeça.

Mas em minha mente sempre tive claro que o patrão de político é o povo, não esses mercenários da política e desse conglomerado de comunicação.

No documento da justiça que me confere o direito do indulto, é citado com clareza que isto somente alcança quem estava respondendo por crime “sem grave ameaça ou violência à pessoa”, conforme Art. 3º do decreto.

Ora, a própria justiça, que possui acesso aos autos, reconhece que as acusações lançadas sobre mim não possuem grave ameaça ou violência contra a pessoa. Ou seja, nunca abusei sexualmente ninguém!!! Se o tivesse, não teria esse direito. Está claro! O que mais precisam?

Vou dizer para você: certos pseudos empresários de comunicação, que usam deste importante instrumento de defesa da sociedade (a imprensa) só pararão essa covardia se eu pagar. E eu não vou fazer isto.

Pelo Facebook recebi várias mensagens de jornalistas falando da pressão que eles recebem nas redações para falar mal de mim. Para fazer jogo de palavras para afundar minha imagem. E por isto não os julgo. Ninguém é para sempre. E aos poucos a verdade vai se revelando. Quem tem um pouco sequer de discernimento já passa a entender.

Mas ainda que certos empresários – pactuados com políticos corruptos que permanecem saqueando nosso povo – insistam em suas mentiras, estarei nas redes sociais, nesta trincheira que o dinheiro não pode censurar, abrindo os detalhes de cada ataque sórdido que possa vir.

Quem me conhece de verdade e conhece quem me acusa, está do meu lado. O povo de Coari é a maior testemunha de que todas essas acusações são falsas. Elegeram meus dois filhos. Minha irmã foi a vereadora mais votada, dentre outras manifestações que mostram claramente que Coari testemunha para o mundo em meu favor.

Após tudo isto, pergunto: a quem interessa destruir minha imagem? Quem está pagando por isso? A custa de quê?

Famílias em Coari hoje passam fome. Várias famílias. E ninguém dá uma linha que seja na imprensa. Por quê? Ora, ninguém realmente se importa com o povo de lá. O importante mesmo era o poder. Acho que o único político que realmente se importava com as pessoas era eu e eis a história para mostra isso sem sombra de dúvidas.

Destruíram minha família, destruiram minha cidade, destruiram minha saúde, mas não destruiram minha fé. Minha família está unida, vamos erguer minha cidade, vou erguer minha saúde e vou erguer novamente a esperança do povo de bem desse Estado. Desejo que eles experimentem serviços de qualidade e entendam porque Coari tem esse respeito e carinho por minha dedicação.

Se tiver forças, trabalharei 24hs por dia para que isso se torne realidade. Tenho trabalho para mostrar, tenho história e competência.

Há muita coisa para dizer para os amazonenses e para o mundo inteiro. Mas o que mais quero neste momento é ter a felicidade de voltar para casa. Abraçar os amigos que tenho em minha terra e trabalhar bastante. Antes, devo cuidar da saúde para saber se está tudo bem.

Não nasci para ter o status de político ou semideus. Nasci para servir e enquanto puder, assim farei.

Me aguarde Coari. Estou chegando. Me aguarde Amazonas, quem te faz mal não terá forças para resistir ao teu desejo de mudança.

Adail Pinheiro