O governador Amazonino Mendes nunca gostou de ser contestado. Muito menos se está errado ou pisou na bola. Vangloriar-se com bravatas os seus feitos políticos administrativos – nem sempre os melhores – sempre foi a marca registrada da arrogância de Amazonino Mendes.

Em visita, segunda-feira (3), à Assembleia Legislativa do Amazonas, o governador eleito, Wilson Lima, declarou o tecido financeiro da máquina pública estatal era delicado e que, em janeiro, assumiria o governo com um déficit superior a de R$ 1,5 bilhão.

Procurado por um canal de televisão local, Amazonino, tergiversou com supremo cinismo. Disse que investiu R$ 1,1 bilhão em obras na Capital e Interior, gerando 26 mil empregos, falou no crescimento da arrecadação, vangloriou-se de ter combatido a corrupção e que o Amazonas é um dos 10 estados que estão com as finanças sob controle e equilibradas, de acordo com relatório técnico do Tesouro Nacional divulgado em novembro deste ano.

Sobre o déficit superior a R$ 1,5 bilhão, nada falou. Ou melhor, falou que o déficit herdado de administrações anteriores foi drasticamente reduzido e paralelamente iniciado um grande plano de investimentos.

Em outras palavras, Amazonino admite a existência do déficit e sem definir o tamanho do mesmo diz que teria herdado de administrações anteriores.

“E o que nasce com a mentira, com a mentira. Isso é uma lei da natureza”, escreveu Fiódor Dostoiévski.