Foto - Mário Sérgio/Fato Amazônico

Com 45 minutos de atraso, o candidato e governador Amazonino Mendes (PDT), 78 anos, chegou  à Secretaria de Fazenda (Sefaz), neste domingo, e passou direto à seção 662, 37ª Zona Eleitoral,seguido por um batalhão de blogueiro. Com a mesma velocidade que entrou para votar, possivelmente pela última vez como pretendente a um cargo eletivo, Amazonino deixou a urna para uma lacônica entrevista coletiva.

Ao lado do assessor mais próximo, médico Francisco Deodato, secretário de Saúde e coordenador da campanha, e de Rebecca Garcia, candidata à vice, Amazonino parecia abatido, cansado – como se tivesse passado a noite em claro, sem dormir.

Aos atentos olhos dos eleitores presentes à Sefaz, o candidato parecia oprimido, acabrunhado. Não conseguiu, sequer, disfarçar que estava possuído por nítido estado de prostração.

O falta do fácil e costumeiro sorriso, escancarado mesmo em dias de sol escaldante, em visita de rotina à zona leste da cidade, assim como a velha e conhecida saudação – gesticulação da mão direita sobre a cabeça -, eram sintomas de um triste vaticínio que persegue o candidato desde o primeiro turno do processo eleitoral: A iminente derrota desta vez não para as pesquisas de intenção de votos, mas para as urnas.

Em entrevista coletiva, o ânimo do candidato de baixo astral. Disse tão somente que sentia uma sensação de leveza de ter “arrumado” a casa e que respeitava o resultado das urnas fosse favorável ou não para ele.

Breve histórico

Ao longo de sua larga e vitoriosa trajetória política, Amazonino foi prefeito de Manaus por dois mandatos, governou o estado do Amazonas quatro vezes e ocupou uma cadeira no Senado da República.

Em 1983, Amazonino ingressou na vida pública nomeado prefeito pelo então governador Gilberto Mestrinho.

Nesse período, como governador do estado, decretou intervenção na prefeitura do professor Manoel Ribeiro e, como interventor, nomeou o então cabo Pereira (Alfredo Nascimento), a menina dos olhos do jovem governador.

Manoel Ribeiro tenta resistir e prefeitura foi invadida pelo então deputado federal, Carrel Benevides, amigo e correligionário de Amazonino.

O salão de honra do casarão do Paço da Liberdade foi ocupado pelo rebelde Carrel Benevides que disparou tiro certeiro na foto oficial de Manoel Ribeiro, eleito pelo voto popular.

Em em 1997, Amazonino Mendes é acusado de participar esquema de compra de votos de deputados federais a favor da emenda da reeleição do então presidente FHC.

Segundo o então deputado João Maia (PFL-AC), em troca de seu voto recebeu R$ 200 mil para votar a favor da emenda e que o dinheiro usado na operação foi providenciado pelo governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL).

Em 1986, faz apologia ao crime ambiental, prometendo uma motosserra para cada caboclo do interior do estado. Ele chegou a distribuir 2.000 motosserras aos eleitores, mais tarde vendidas a madeireiros a preços irrisórios.

Em 1989 extinguiu a Polícia Civil, alegando que a mesma estava podre e corrupta.

Como prefeito, promoveu a revitalização de pontos turísticos de Manaus, embelezou os canteiros de algumas das principais vias e constrói os primeiros dois viadutos.

Nesse período, inaugura o complexo da Praia da Ponta Negra, um dos cartões postais da cidade, além de implantar o SOS Manaus, o primeiro serviço de resgate de emergência pública.