Soco de José Aldo na linha de cintura abriu caminho para a vitória contra Renato Moicano — Foto: Getty Images

A vitória avassaladora de José Aldo na noite deste último sábado, no UFC Fortaleza, ao nocautear Renato Moicano, parece na Irlanda. Assim que o evento terminou na capital cearense, o ex-campeão peso-pena Conor McGregor foi às redes sociais e elogiou a “atmosfera incrível no Brasil esta noite”, além de demonstrar seu interesse em lutar no país. Aldo não teve como escapar da pergunta na coletiva, e disse que já tinham lhe mostrado o post no caminho até a sala.

– Eu vi. Que coisa linda! Para mim seria ótimo. Não sei se essa luta que ele falou que tinha fechado no Rio se era comigo, se era comigo não chegou até a mim (Nota do editor: a luta oferecida a Conor seria com Rafael dos Anjos). Mas se tivesse a oportunidade no peso de cima já era melhor ainda que não sofria no peso. E para mim seria ótima essa luta, acho que a primeira vez a gente não pôde mostrar o nosso trabalho, ele conectou um bom golpe, parabéns para ele. Mas se a gente tivesse outra oportunidade, pode ter certeza que a história seria diferente – afirmou.

José Aldo, que chegou a 28 vitórias na carreira, também foi perguntado sobre outras possibilidades para as duas próximas lutas, que garantiu serem as últimas de sua carreira. Primeiro, sobre o australiano Alexander Volkanovski, revelou não saber de quem se trata, mesmo sendo ele o quarto da categoria e com seis vitórias em seis lutas no Ultimate, a última contra Chad Mendes.

– Quem? Pelo amor de Deus, desculpa, desculpa o rapaz aí (risos), não sei não, mas quero lutar em Curitiba. Se tiver oportunidade, estou dentro – disse Aldo, citando o UFC 237, no dia 11 e maio. Um nome que agradou em cheio e foi lembrado pelo lutador foi Brian Ortega, hoje o desafiante número 1, mas que vem de derrota na luta pelo título com Max Holloway.

– Lógico que seria (uma luta interessante). Acho que todo mundo que está bem ranqueado no peso-pena seria. Antes disso coloquei uns 15 nomes na mesa do Dana e perguntei qual era a real situação que eu estava na categoria, e como ele imaginava. Dei uma lista de nomes e todos esses fazem parte do meu cardápio, e quero comer.

Sobre a vitória no UFC Fortaleza, que o fez correr mais uma vez par os braços do povo na arena, José Aldo primeiro explicou o início estudado, para depois emplacar o nocaute aos 44 segundos do round seguinte.

– Ele tem uma boa envergadura, um tamanho bom. Acho que a categoria está se renovando assim, cada vez mais alta. Tentei manter a calma, tentei atacar no momento (certo). A gente foi mapeando o jogo dele para ver o que tinha preparado desde o início da luta, ver o que ele poderia fazer comigo. Sei que ele tem um bom jab, chuta bem na panturrilha, e eu tinha só que bloquear esses golpes a atacá-lo, porque sabia que na primeira mão minha que entrasse ele ia sentir.

Aldo também foi questionado sobre uma aparente incompreensão de Renato Moicano sobre o momento que o árbitro encerrou a luta. Ele admitiu que foi questionado pelo rival antes do anúncio do resultado, mas saiu em defesa do árbitro.

– Na hora que estava conversando com ele ali antes de levantar o braço, ele perguntou se tinham parado a luta muito cedo. Falei: “cara, não sei te falar isso agora porque foi muito rápido”, mas vendo um pouco acho que tinha um domínio muito grande e o juiz teve duas falas mandando ele reagir, e ele não reagiu. Falei para ele que, hoje em dia, se você não demonstrar, não fizer qualquer movimento de que está dentro da luta os juízes estão parando.

Os dois lutadores conversaram bastante após o fim da luta, antes do anúncio do resultado, e José Aldo revelou que disse palavras de incentivo ao adversário, e acredita que Moicano ainda pode voltar a percorrer o caminho até ser campeão.

– Primeiramente, o agradeci pela luta. Pedi desculpas também por estar tirando o sonho dele, ele estava almejando lutar pelo título, e dei força a ele. A gente precisa de novos atletas, principalmente na minha categoria, sempre sonhei em ter um domínio brasileiro e perdi isso. Dei força para ele, acho que hoje (essa luta) faz parte do passado e espero que ele continue, tem um talento, é um moleque habilidoso que tem muito futuro brilhante pela frente. É continuar o trabalho duro, acreditando na equipe dele, e que possa voltar e lutar pelo título e ser campeão – concluiu. (combate.com)