Depois de muita confusão e de um impasse só resolvido no Supremo Tribunal Federal, o plenário do Senado elegeu neste sábado (2), em votação secreta, Davi Alcolumbre (DEM-AP) como presidente da Casa até janeiro de 2021. Ele se elegeu após receber 42 votos. Um a mais do que os 41 exigidos para que não houvesse segundo turno. Essa foi a eleição mais acirrada da história da Casa desde a redemocratização. A disputa foi marcada por um cerco de senadores de vários partidos contra Renan Calheiros (MDB-AL), que renunciou à sua candidatura no fim da tarde, alegando discordâncias com o processo eleitoral.

Depois de quatro anos de atuação tímida no Senado, Davi se agigantou diante de Renan, que chegou a chamá-lo, de maneira irônica, de “Golias”, em referência aos dois personagens bíblicos, e deve comandar a Casa pelos próximos dois anos, tempo de seu mandato. Foi necessária a realização de duas votações secretas, em cédulas de papel, para que o novo presidente fosse conhecido. Foram registrados 77 votos. Quatro senadores não votaram na segunda rodada: além de Renan, Jader Barbalho (MDB-PA), Eduardo Braga (MDB-AM) e Maria do Carmo Alves (DEM-SE) – todos apoiadores do senador alagoano.

Apesar da vitória, o governo de Jair Bolsonaro deve enfrentar um recrudescimento da oposição no Senado, reforçada agora por Renan e alguns de seus aliados.

Desde esta sexta, Alcolumbre e aliados tentaram passar por cima do regimento do Senado e fazer uma votação aberta para escolha, o que praticamente eliminava as chances de sucesso de Renan, político que é alvo da Lava Jato e vinculado à chamada “velha política”.