Desde segunda-feira (28), Mariana Ferrão está acompanhado de perto a tragédia em Minas Gerais. Após uma semana de trabalho intenso em Brumadinho, a jornalista fez um forte desabafo em seu Instagram na tarde de sexta-feira (01).

Todos esses dias de trabalho em Brumadinho, Mariana Ferrão entrou ao vivo no programa “Bem Estar” trazendo histórias de familiares de mortos e de sobreviventes, acompanhando o trabalho intenso dos bombeiros e das pessoas que se dispuseram a ajudar de alguma maneira.

Nesta sexta, último dia de Mariana em Brumadinho, a jornalista usou seu Instagram para fazer um forte desabafo sobre tudo que viu durante esses cinco dias. Com um vídeo emocionante mostrando partes dos momentos que viveu esses dias, a companheira de Fernando Rocha no Bem Estar, fez um lindo e forte texto.

“Avião. Voltando pra casa. Vim para Belo Horizonte no dia 25/01 para dar uma palestra. Quando entrei naquele avião, recebi uma mensagem sobre o rompimento da barragem. Começamos nosso evento com um minuto de silêncio em homenagem às vítimas, sem ter a menor noção da dimensão da tragédia. Depois de uma semana, me arrisco a dizer que ainda não temos. As camadas de dor são tantas e, muitas ainda estão escondidas sobre toneladas de lama. No sábado, havia uma angústia esperançosa no ar: centenas de pessoas achavam que iam encontrar seus parentes e amigos vivos. No céu a lua começava a minguar. E foi minguando, assim como a esperança de cada um, a cada dia. Os olhares atentos a qualquer movimentação foram dando lugar às pálpebras quase fechadas mirando o chão. Gente querendo desviar da própria dor. Mas a dor veio em enxurrada, em avalanche. A lama em lava de vulcão queimando sonhos, destruindo famílias inteiras. O que dizer numa hora desta? Dei abraços, troquei olhares. Gravei entrevistas. E outras não tive coragem de gravar porque, pra mim, naquele sofrimento, não cabia câmera. Só registro no coração”, escreveu.

Mariana ainda lembrou de algumas histórias que a deixaram impactada e muito emocionada: “Ontem conheci o seu Edson. Engenheiro geólogo que trabalhou muito tempo na Vale: “o que eu construí em 30 anos com a ajuda da empresa, a própria empresa me tirou em um segundo.” O Edson estava com roupa emprestada. A única coisa que sobrou da casa em que ele morava foram 11 corpos entre os escombros. Um era o da esposa. Ela avisou o jardineiro, que conseguiu fugir junto com a cozinheira, mas a esposa do Edson voltou para pegar o cachorro. Seu corpo foi encontrado com o cão nos braços. “História. Foi tudo que restou.”, ele me disse. E eu disse pra muita gente que um jeito de não deixar ninguém morrer é carregar pra sempre estas histórias no coração. A do Leo também vai comigo. A esposa dele, Daiana, voltou de licença maternidade no dia do rompimento da barragem. Na hora do almoço fez uma ligação de vídeo para o filhinho de 4 meses, o Heitor: “espera a mamãe pra te dar banho”. Conheci o Heitor dois dias depois na porta do IML coletando DNA para ajudar na identificação do corpo da mãe. Enquanto conversava com o Leo, caí no choro e uma enfermeira voluntária que também trabalhou no desastre da Samarco, veio me dizer: ‘A tragédia me ensinou que mais importante do que identificar sinais vitais é a gente perceber o quanto está doente quem não sente a dor do outro. Então chora, chora que faz bem’. Ainda vamos chorar muito. Mas o grande esforço é amar mais. Mais e mais. Os que ficaram e os que foram. Porque saudade é alguém que mora dentro da gente. E eu já tô com saudade de um bocado de gente de Brumadinho”, finalizou.

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Avião. Voltando pra casa. Vim para Belo Horizonte no dia 25/01 para dar uma palestra. Quando entrei naquele avião, recebi uma mensagem sobre o rompimento da barragem. Começamos nosso evento com um minuto de silêncio em homenagem às vítimas, sem ter a menor noção da dimensão da tragédia. Depois de uma semana, me arrisco a dizer que ainda não temos. As camadas de dor são tantas e, muitas ainda estão escondidas sobre toneladas de lama. No sábado, havia uma angústia esperançosa no ar: centenas de pessoas achavam que iam encontrar seus parentes e amigos vivos. No céu a lua começava a minguar. E foi minguando, assim como a esperança de cada um, a cada dia. Os olhares atentos a qualquer movimentação foram dando lugar às pálpebras quase fechadas mirando o chão. Gente querendo desviar da própria dor. Mas a dor veio em enxurrada, em avalanche. A lama em lava de vulcão queimando sonhos, destruindo famílias inteiras. O que dizer numa hora desta? Dei abraços, troquei olhares. Gravei entrevistas. E outras não tive coragem de gravar porque, pra mim, naquele sofrimento, não cabia câmera. Só registro no coração. Ontem conheci o seu Edson. Engenheiro geólogo que trabalhou muito tempo na Vale: “o que eu construí em 30 anos com a ajuda da empresa, a própria empresa me tirou em um segundo.” O Edson estava com roupa emprestada. A única coisa que sobrou da casa em que ele morava foram 11 corpos entre os escombros. Um era o da esposa. Ela avisou o jardineiro, que conseguiu fugir junto com a cozinheira, mas a esposa do Edson voltou para pegar o cachorro. Seu corpo foi encontrado com o cão nos braços. “História. Foi tudo que restou.”, ele me disse. E eu disse pra muita gente que um jeito de não deixar ninguém morrer é carregar pra sempre estas histórias no coração. A do Leo também vai comigo. A esposa dele, Daiana, voltou de licença maternidade no dia do rompimento da barragem. Na hora do almoço fez uma ligação de vídeo para o filhinho de 4 meses, o Heitor: “espera a mamãe pra te dar banho”. Conheci o Heitor dois dias depois na porta do IML coletando DNA para ajudar na identificação do corpo da mãe. Enquanto conversava com o Leo, caí no choro (continua nos comentários) 😥⬇️

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O forte relato da apresentadora do Bem Estar emocionou os fãs e seguidores da jornalista. Sua postagem está repleta de comentários parabenizando a cobertura da repórter e de pessoas que se solidarizaram com seus sentimentos.

“Vc me emociona @marianaferrao . De todas as formas possíveis, empatia, sofrimento, amor, dor! Precisamos de amor! É verdadeiro”, escreveu uma seguidora. “Que tristeza, é uma dor imensurável de todos que de alguma forma perderam um pouco de cada, peço a deus que abençoe cada um e que acalme os corações de todos, somente o tempo para amenizar essa dor”, comentou uma fã. “Parabéns pelo excelente trabalho. É de cortar o coração ver essa matéria. Como dói a dor dessas famílias”, lamentou uma internauta. (JETSS)