Macri (à direita) com o ex-presidente Nicolas Sarkozy, em Paris - THOMAS SAMSON / AFP
Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

PARIS – O presidente argentino, Mauricio Macri, afirmou neste sábado em uma entrevista à AFP que seu país não vai reconhecer o resultado das próximas eleições presidenciais na Venezuela, das quais foi excluída a coalizão opositora por decisão judicial.

A Corte Suprema da Venezuela – acusada pela oposição de servir ao governo – excluiu na quinta-feira a coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) das eleições presidenciais antecipadas que se celebrarão antes de 30 de abril, deixando o caminho livre para Nicolás Maduro renovar seu mandato. A decisão causou surpresa e frustração entre uma oposição dividida e sem um líder claro, que agora deverá buscar candidatos para enfrentar Maduro.

– A Argentina não vai reconhecer essa eleição – afirmou o presidente argentino, ao afirmar que Maduro tranformou a Venezuela em “uma ditadura”. – Maduro preocupou toda a região e o mundo inteiro, gerou otimismo com as mediações de líderes mundiais, mas a única coisa que ele fez foi continuar subjugando os direitos humanos.

Na entrevista em Paris, onde concluiu neste sábado uma viagem internacional, Macri disse que possíveis sanções latino-americanas contra Caracas continuarão a ser exploradas. Mas ele é pessimista.

– Tudo o que estava ao nosso alcance já foi feito.

Na sexta-feira, o presidente francês Emmanuel Macron, que abordou a crise venezuelana com Macri, se declarou favorável a ampliar as sanções europeias contra a Venezuela, considerando-se o “viés autoritário inaceitável do regime” de Maduro.

O presidente francês ressaltou, no entanto, que a eficácia das medidas da União Europeia é limitada e apontou a necessidade de que outros países que tenham maiores laços econômicos com a Venezuela também apliquem sanções.

Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil, fundadores do Mercosul, suspenderam no ano passado de forma unânime e indefinida a Venezuela do bloco por “ruptura da ordem democrática”.

Mas na prática, essa decisão mudou pouco ou nada a situação do país caribenho, que já se encontrava suspenso do Mercosul desde dezembro de 2016 por descumprir obrigações comerciais contraídas quando se incorporou ao bloco.

Perguntado sobre a possibilidade de ser mediador na crise venezuelana, Macri descartou totalmente esta opção.

– Eu expressei, talvez tenha sido o primeiro, com força, qual é a minha opinião sobre o que Maduro está fazendo, motivo pelo qual não sou a pessoa indicada. Neste ponto, acho que (Maduro) não está interessado, ele deixa claro que quer ter um domínio sobre a Venezuela por muitos anos e que quem não gostar do que ele faz deve sair da Venezuela.

Nicolás Maduro espera renovar seu mandato este ano no meio a uma profunda crise política e econômica.

O presidente argentino concluiu sua viagem internacional na França neste sábado. Ele foi à Rússia, onde se encontrou com o presidente Vladimir Putin, e ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, onde disse que “confirmou vários investimentos” em diversas áreas, como mineração e infraestruturas.


Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •