O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, negou que ele e o presidente Jair Bolsonaro tenham cometido irregularidade no repasse de recursos públicos do fundo eleitoral para candidatas do PSL. Em nota, Bebianno reafirmou que não teve qualquer participação na escolha das candidaturas do partido em Pernambuco. A suspeita é de que a verba tenha sido destinada a candidatas laranjas.

“Reafirmo que não fui responsável pela definição das candidatas de Pernambuco que foram beneficiadas por recursos oriundos do PSL Nacional”, ressaltou. O ministro disse que tem compromisso com o combate à corrupção. “Reitero meu incondicional compromisso com meu país, com a ética, com o combate à corrupção e com a verdade acima de tudo”, completou.

Presidente nacional do PSL durante a campanha eleitoral a pedido de Bolsonaro, de quem foi advogado, o ministro está com o emprego ameaçado. Em entrevista na quarta-feira (13) à Record, o presidente disse que Bebianno pode ter de “voltar às suas origens” caso seja comprovado participação dele em alguma irregularidade.

Reportagem do último domingo da Folha de S.Paulo mostrou que o PSL repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco que recebeu 274 votos, quatro dias antes da eleição. O repasse, segundo o jornal, foi feito no período em que o ministro era presidente do partido. Atual presidente do PSL, o deputado Luciano Bivar (PE) é o grande nome da legenda no estado.

Ministros militares e parlamentares da bancada tentaram apaziguar os ânimos ao longo dessa quinta. Eles ficaram inconformados com a participação do vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente, no processo de fritura de Bebianno. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também saiu em defesa do ministro e criticou a interferência de filhos de Bolsonaro em atos do governo.

Carlos chamou o ministro, de quem é desafeto, de mentiroso e divulgou um áudio de uma conversa telefônica em que Bolsonaro diz ao auxiliar que não vai conversar com ele por estar em recuperação médica. Bebianno havia minimizado a crise no governo e dito ao jornal O Globo que havia conversado três vezes com o presidente naquele dia. Bolsonaro reproduziu a gravação em seu Twitter e desmentiu o chefe da Secretaria-Geral da Presidência na entrevista à Record ao reiterar que os dois não haviam conversado no dia anterior.

A Polícia Federal investiga a suspeita de uso de candidatas laranjas pelo PSL. O ministro do Turismo, Marcelo Alvaro Antônio, que é deputado licenciado pelo partido em Minas Gerais, também é acusado de ter utilizado o mesmo expediente. Bolsonaro, no entanto, não cogitou até o momento demiti-lo. Também não cobrou explicações do presidente de seu partido, Luciano Bivar.

Em entrevista à revista digital Crusoé, Bebianno disse que o presidente está “com medo de receber algum respingo” das acusações que recaem sobre ele. A declaração foi entendida como uma espécie de ameaça ao presidente, já que Bebianno foi coordenador da campanha presidencial de Bolsonaro e, como tal, tem total conhecimento de todos as ações do partido durante o período. (Congresso em Foco)