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“Arte – A Revolução pelo Saber Popular” foi a temática defendida pelo Boi-Bumbá Caprichoso que, com repertório musical impecável, manteve um espetáculo grandioso, marcado pela organização, vibração da galera e a garra dos itens na arena do Bumbódromo, na última noite do Festival Folclórico de Parintins 2018. O primeiro impacto do último capítulo do projeto “Sabedoria Popular: Uma Revolução Ancestral” seu deu com a Exaltação Folclórica “Maria do Povo”, com a participação especial da Ex-Cunhã-Poranga, Daniela Assayag, e da cantora Mara Lima.

Ao chamado do berrante do Amo do Boi, Prince do Caprichoso, o tripa Alexandre Azevedo surgiu com o bumbá da estrela de dentro do módulo alegórico, trabalho do artista Nonoca Costa. Confeccionada pelos artistas estreantes Makoy Cardoso e Glemberg Castro, a alegoria da Figura Típica Regional “A Cabocla Tecelã” abordou o dom artístico das artesãs amazônicas, que se transformou em cenário para exaltação folclórica, de onde surgiu a Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid em uma plataforma elevatória no centro da arena, que evoluiu para a galera azulada delirar na arquibancada.

Da alegoria, também surgiu um módulo em formato de embarcação com artistas e ajudantes. A alegoria de Figura Típica Regional também mudou de cenário para os artistas pintarem um mosaico em plena arena. Personagens como o missionário italiano Irmão Miguel de Pascale formaram o cenário da alegoria, com uma réplica do Cristo Redentor, que conduziu o Caprichoso para a evolução ao som de “Boi de Negro”. A Porta-Estandarte, Marcela Marialva, chegou na arena conduzida por uma borboleta. Durante a evolução, a guardiã do pavilhão fez inovação com o estandarte que aumentava o tamanho da haste mecanicamente até sete metros de altura e, na fantasia, assinada pelo artista Makoy Cardoso, fazia movimentos em um boi em miniatura.

 


A vaqueirada evolui com o Boi Caprichoso na arena. “Festança Multicultural” concorreu ao item “Toada, Letra e Música” e David Assayag como “Levantador de Toadas”. Tribos indígenas e tuxauas, com o pajé Netto Simões, dançaram “Tambor dos Mortos” para organização do conjunto folclórico. Com solo de violão do consagrado músico paraense, Sebastião Tapajós, a Lenda Amazônica “O Boto Romanceiro”, alegoria do artista Márcio Gonçalves, começou a evolução com uma dança mística de sedução, na qual uma mulher grávida fez parte do contexto cênico. O destaque ficou para as toadas “O Boto Romanceiro” e “Festa de Boto”, trilhas musicais da lenda, quando foi anunciada a chegada da Rainha do Folclore, Brena Dianná, para dança de despedida do item, após uma década de soberania no festival.

Brena Dianná não conteve as lágrimas durante a evolução diante da galera azulada em euforia. As tribos coreografadas fizeram um grande espetáculo cênico ao dançarem a toada “Dowari – O Caminho dos Mortos”, com direito a homem voador. A gigantesca alegoria “Boitatá – Cobra de Fogo”, assinada pelo renomado artista Juarez Lima, inovou pela estética da composição cenográfica montada na arena, com a lendária serpente vinda do lixo das cidades brasileiras, com a proposta de mensagem clara de alerta aos agressores da natureza pela poluição dos rios. O módulo alegórico trouxe a Cunhã-Poranga, Marciele Albuquerque, para evoluir com garra na arena.

“Dowari – O Caminho dos Mortos” reservou o momento do ritual indígena de transcendência do povo Makurap, com alegoria do artista Jucelino Ribeiro. Na cerimônia, a sabedoria ancestral dos velhos pajés makurap, que após inalarem o rapé de angico, ensina depois da morte, a alma deixa o corpo e inicia uma épica epopeia rumo a maloca dowari, a morada dos mortos. Se com sabedoria, valentia e coragem conseguir cruzar o caminho dos mortos, a alma chegará a dowari para ser consagrada como um ser de luz. O pajé Netto Simões surgiu do centro da alegoria do ritual para dançar na arena. O final da apresentação foi marcado pela presença dos grupos folclóricos no meio da arena, itens e com o homem voador com a bandeira do Caprichoso.


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