Fotos: Erick Bitencourt/Fato Amazônico
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Com a temática “Diversidade e Resistência”, o Boi-Bumbá Garantido abriu a segunda noite de disputa do Festival Folclórico de Parintins 2018, neste sábado, 30 de junho. O espetáculo vermelho e branco teve como princípio a Celebração Folclórica “As Cores da Fé”, em defesa das diferenças, do respeito e da tolerância, da qual surgiu o primeiro item, a Sinhazinha da Fazenda, Didja Cardoso. O boi do coração levou para a arena do Bumbódromo a Figura Típica Regional “O Caboclo Sacaca”, em representação as diferentes crenças responsáveis pela formação da identidade cultural religiosa dos povos da floresta, cujo sincretismo do culto à fé é herança, principalmente, da ancestralidade negra e indígena.

Nessa alegoria, confeccionada pelo artista plástico Rogério Azevedo, o personagem central foi o curador popular, homem tipicamente amazônico, com capacidade de conhecer múltiplos mundos como das encantarias, onde habitam seres fantásticos sobrenaturais, chamados de “bichos do fundo”. Um módulo da composição alegórica trouxe a Porta-Estandarte, Edilene Tavares. A alegoria do artista Vandir Santos celebrou outro momento folclórico, denominado “Boi da Promessa – Tributo a Lindolfo Monteverde”, em homenagem ao fundador do Garantido, um humilde pescador, descendente de negros do Maranhão. O tributo foi marcado pela aparição da vaqueirada e o Amo do Boi, Tony Medeioros, tirou verso para exaltar a tradição do boi da Baixa de São José.

A Lenda Amazônica “Matintaperê”, alegoria assinada pelo artista Roberto Reis, veio do imaginário caboclo para arrepiar, assombrar, amedrontar e entrar em metamorfose na arena, na qual o encantamento só foi quebrado pelos conhecimentos repassados pelos velhos curandeiros. Da alegoria, veio a Rainha do Folclore, Brenda Beltrão, para evoluir na arena. As tribos do Garantido protagonizaram a Celebração Indígena “Puraçi-Çáua” para assegurar a manutenção das riquezas culturais, sociais e históricas dos povos do Brasil, um momento marcado pela reverência às 305 etnias falantes de 274 línguas ainda existentes, um festejo das identidades dos nativos do país.  

O Boi Garantido encerrou a segunda noite de disputa com a apresentação do ritual indígena “Iniciação Marupiara”, alegoria confeccionada pelo artista Marialvo Brandão. A cerimônia, conduzida pelo pajé André Nascimento, representou o rito mundurucu de passagem que se passa na histórica área cultural mundurucânia, entre os rios Tapajós e Madeira, conduzida pelo pajé, para iniciação de menino em guerreiro. Nesse ritual, o curumim iniciado é submetido a enfrentar provas físicas, intelectuais e psicológicas, durante um período de dois meses. Os desafios são sete caminhos mortais: a maloca dos espíritos, o temido serpentário, a toca da tucandeira, o nicho do jaguar, a cachoeira do inferno, a praia do jacaré e o remanso das piranhas.

A Cunhã-Poranga, Isabele Nogueira, evoluiu na arena após a encenação do ritual indígena. O apresentador Israel Paulain e o levantador de toadas, Sebastião Júnior, foram os condutores do espetáculo “Diversidade e Resistência”, do início ao fim, com a galera em euforia cantando as toadas, ao som da pulsação da Batucada. “As Cores da Fé”, de autoria dos compositores Enéas Dias, Marcos Moura e João Kenedy, concorreu ao item “Toada, Letra e Música”, com um momento dedicado ao sincretismo religioso. Entre os momentos fortes de toda a apresentação do Garantido na segunda noite foi destacaram-se as tribos e a emoção da galera na arquibancada, com a interação do apresentador Israel Paulain.


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