O Amazonas é ou não é o patinho feio da nação brasileira verde-amarelo? Claro que é. Sempre foi, mesmo no período áureo da borracha que embelezou o Rio de Janeiro, Belém do Pará e bamburrou os cofres da Coroa Britânica com muitas libras esterlinas.

Desde que Zona Franca de Manaus (ZFM) foi criada, por exemplo, o que permitiu que Manaus saísse da incômoda condição de porto de lenha para figura entre as cinco principais do país, “todos os dias” aparece alguém, com fome voraz, para destruí-la. O pretexto é sempre o mesmo: “concorrência desleal com os bilionários empresários paulistas”.

Ainda no mesmo período de governo de regime militar sob o slogan “integrar para não entregar” – bonito, não é mesmo? -, o Amazonas foi cortado pela Perimetral Norte e, também, pela Transamazônica. Ambas, do lado do Amazonas, viraram lama.

A Perimetral Norte sequer foi concluída.

Mais tarde veio a BR-319 que, no papel, tiraria Manaus e, consequentemente, o Amazonas do isolamento.

Construída à preço de ouro, a 319 foi inaugurada com pompas, abrindo caminho para o desenvolvimento regional. Mas como tudo que é bom dura pouco, acabou.

As dezenas de pontes construídas à base de madeira de lei despencaram e não tardou para o asfalto virar lama, à propósito da Perimetral Norte e Transamazônica.

Com muita luta, as velhas pontes e balsas foram substituídas por pontes de concreto. Não deixou de ser um avanço, convenhamos. Mas muito pouco adiantou. A rodovia continuou interditada pelo lamaçal.

Nos dias de hoje, para se eleger senador da República, apareceu o Alfredo Nascimento – conhecido como cabo Pereira -, ministro dos Transportes com a fórmula na ponta da língua: “vou asfaltar a BR-319. Que nada. Não asfaltou um centímetro, mas foi para o Senado da República.

Agora, o governo Jair Bolsonaro, ignorou os anseios do povo do Amazonas e deixou a rodovia de escanteio.

Terça-feira (29), em entrevista à Folha de São Paulo, o ministro de Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, anunciou uma série de investimentos em rodovias federais de todo o País, num pacote de obras com valores que giram em torno dos R$ 100 bilhões, mas o “patinho feio” da nação verde-amarelo não foi incluída.