Fortes confrontos ocorreram na tarde deste sábado (23) nas fronteiras venezuelanas com o Brasil e a Colômbia, quando caminhões e manifestantes tentaram romper os bloqueios militares para fazer entrar a ajuda humanitária enviada pelos EUA.

Um caminhão que levava mantimentos da Colômbia para a Venezuela foi queimado na ponte Santander, que liga Cúcuta à cidade venezuelana de Ureña, segundo imagens de um canal de TV venezuelano. Nuvens de fumaça negra subiram e se espalharam pelo ar.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou neste sábado, 23, o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia, em razão do apoio do governo de Iván Duque ao líder da oposição venezuelana Juan Guaidó em sua tentativa de entregar ajuda humanitária.

“Eu decidi romper todas as relações políticas e diplomáticas com o governo fascista da Colômbia e todos os seus embaixadores e cônsules devem partir em 24 horas da Venezuela. Saia daqui, oligarquia!”, afirmou Maduro em um longo discurso para apoiadores em Caracas.

Maduro rompe relações com a Colômbia

O presidente socialista disse que “nunca um governo colombiano caiu tão baixo”. “Você é o diabo, Iván Duque. Você é o diabo, e você secará por se meter com a Venezuela.  Vade retro satanás, fora daqui, diabo!”, proclamou.

Ao referir-se a Guaidó, que está na cidade colombiana de Cúcuta, na fronteira com a Venezuela, Maduro disse que ele é um fantoche do presidente americano, Donald Trump. “Estamos esperando pelo senhor fantoche palhaço, fantoche do imperialismo americano e mendigo”, disse. Ele também prometeu que o líder opositor enfrentará a Justiça do país, mas não deu detalhes do que quis dizer com essa ameaça.

Sobre a operação da oposição para levar alimentos e medicamentos ao povo venezuelano com assistência estrangeira, o líder chavista disse que trata-se de uma “brincadeira de enganar bobos”.

O presidente venezuelano também conclamou os militantes chavistas e os militares do país a não se renderem. “Nunca me dobrarei, nunca me renderei, defenderei a pátria com minha vida se necessário for”. “A ordem que dou às Forças Armadas bolivarianas é que se um dia fizerem algo contra (o regime), saiam às ruas.”

Segundo Maduro, o círculo militar tem planos para todos os cenários, mas ele tem certeza de que a paz vai triunfar. “Vamos consolidar uma grande vitória este ano”, afirmou sobre o ódio que foi despertado. “O ódio de Donald Trump é enorme contra a Venezuela.” E em outro momento, Maduro acusou o presidente americano de querer a “imensa riqueza da Venezuela”.

Em um determinado momento, Maduro interrompeu o discurso e pediu para o público fazer exercícios e uma “ola” pelo bolivarianismo. Em mais de uma hora de discurso, ele também disse que o povo venezuelano é invencível e indestrutível. “Estamos muito orgulhosos da força que temos, da nossa consciência, coragem e do poder popular. Os invisíveis da Venezuela, que nunca aparecem nos canais de televisão internacionais, são os indestrutíveis.”

O presidente venezuelano também afirmou que sua bandeira é a da “batalha pela paz, com independência, integridade nacional, justiça e dignidade”. “Estamos empreendendo a batalha pela dignidade da Venezuela. Querem nos deixar de joelho diante do império americano. Este não é um tempo de traidores e traições, mas um tempo de lealdade à paz e aos ideais supremos da Venezuela”, afirmou.

E questionou o fato de, até o momento, Guaidó, não ter convocado novas eleições no país como, pela Constituição, um presidente interino precisa fazer dentro de 30 dias – tal qual fez ele quando Hugo Chávez morreu em 2013. “Estou aqui pelo voto do povo, porque vocês decidem o que acontece na Venezuela, não Trump ou os bonecos de Iván Duque (presidente da Colômbia)”, afirmou.

Maduro afirmou ainda que “se viu obrigado” a fechar as fronteiras com a Colômbia nas cidades de San Antonio (del Táchira) e Ureña, em parte por conta do show realizado na sexta-feira na região. “Diante do show, da ameaça e da violência anunciadas, me vi obrigado a fechar as fronteiras. Hoje estou avaliando o que fazer, porque não vamos nos calar, vamos garantir a paz e a soberania total da fronteira”, declarou a apoiadores. “Não temo ninguém, meu pulso não treme. Se a questão é sair na briga, eu saio primeiro”, disse. / COM AFP e EFE