Campanha em escolas identifica casos de hanseníase - Fato Amazônico


Campanha em escolas identifica casos de hanseníase

A 5ª Campanha de Combate à Hanseníase e Geo-Helmintíases (Verminoses), iniciada no mês de março, com o objetivo de atingir 185 escolas de Manaus, identificou até o momento 74 casos suspeitos de hanseníase entre os estudantes, dos quais dois estão com o diagnóstico confirmado. Outros 57 foram descartados e 15 permanecem em fase de investigação diagnóstica.

Executada pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), a campanha seguirá até o dia 15 de junho e tem a meta de atender 70.360 alunos na faixa etária de 5 a 14 anos de idade, em 140 escolas municipais e outras 43 escolas estaduais. O trabalho é realizado em parceria com Fundação a Alfredo da Matta, secretarias municipal e estadual de Educação (Semed e Seduc) e o Movimento pela Reintegração às Pessoas Afetadas com Hanseníase (Morhan).

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, explica que a campanha tem o objetivo de realizar a busca ativa de casos novos de hanseníase e o tratamento coletivo para as verminoses. “A programação faz parte das ações executadas para a detecção precoce da hanseníase, o que vai permitir iniciar o tratamento dos pacientes e, assim, evitar o risco de transmissão. Os dois estudantes que tiveram confirmados os casos já iniciaram o tratamento adequado e os profissionais de saúde realizaram a investigação dos contatos desses pacientes para buscar casos suspeitos de transmissão da doença”, informa Magaldi.

Para a chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase da Semsa, enfermeira Eunice Jacome, a maior dificuldade encontrada na campanha é a falta de retorno do formulário de autorização dos pais ou responsáveis para que os estudantes participem das ações da campanha.

“Em todas as escolas acessadas até agora na campanha, o percentual de devolução do formulário, que inclui o mapa de autoimagem da criança indicando possíveis manchas na pele, está em 69,02%. Os pais devem procurar ter mais atenção sobre isso para que todos os estudantes possam ser beneficiados com a campanha”, ressalta Eunice, informando que os pais precisam assinar o formulário autorizando tanto a administração do medicamento Albendazol em dose única para a redução de carga parasitária entre os estudantes, quanto o exame de pele por profissionais de saúde.

Casos

O município de Manaus registrou em 2015 um total de 180 casos novos de hanseníase, sendo 25 na faixa etária de até 14 anos. Em 2016, foram 167 casos, dos quais 17 em pessoas de até 14 anos. No ano passado, foram 130 casos, cinco na faixa etária de até 14 anos. Este ano, o número de casos novos está em 42, cinco em pessoas de até 14 anos.

Na última Campanha de Combate à Hanseníase e Geo-Helmintíases, realizada em Manaus, no ano de 2016, foram detectados 136 casos suspeitos da doença. Desse total, foram confirmados cinco casos entre alunos de 5 a 14 anos, além de um caso em um estudante fora da faixa etária indicada. Já em 2015, houve a confirmação de 10 casos.

Na ação realizada na manhã desta quinta-feira, 17/5, na Escola Estadual Professor José Ribamar, no bairro Lírio do Vale II, organizada pelo Distrito de Saúde Oeste (Disa Oeste), a equipe da Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) Oeste – 13 fez a avaliação de manchas suspeitas e a administração do Albendazol em um grupo de estudantes.

Conforme a médica Camila Cardoso Cunha Oliveira, a campanha tem sido importante porque, normalmente, os pais e responsáveis identificam manchas na pele das crianças, mas não suspeitam de hanseníase, confundindo com doenças como o pano branco.

“Muitas vezes a criança passa anos com uma mancha na pele, que é uma das características da hanseníase, mas é somente na adolescência ou na vida adulta que surge a suspeita para a doença. Se não é feito o diagnóstico, não é possível iniciar o tratamento. E o contágio da hanseníase acontece quando o paciente não está em tratamento e por isso é tão importante a detecção precoce da doença”, alerta a médica.

Transmissão

A hanseníase é uma doença crônica, infectocontagiosa, transmitida pelo contato com o bacilo  Mycobacterium leprae (M. Leprae), que tem a capacidade de infectar grande número de indivíduos, mas poucos adoecem. A doença atinge, principalmente, pele e nervos periféricos podendo levar a sérias incapacidades físicas. A transmissão acontece principalmente pelas vias áreas superiores, por meio de contato próximo e prolongado de uma pessoa com maior probabilidade de adoecer com uma pessoa doente e que esteja sem tratamento.

Sintomas

Os sintomas mais frequentes da hanseníase são: manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas, em qualquer parte do corpo, com perda ou alteração de sensibilidade, especialmente nas extremidades das mãos e dos pés, na face, nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas. O diagnóstico e tratamento estão disponíveis de forma gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS).