No Amazonas de Terezinha Morango, Almino Afonso, Thiago de Melo; dos bumbás Garantido e Caprichoso; do encontro das águas e do jaraqui frito com farinha, pimenta murupi e limão tudo é possível acontecer em período eleitoral.

Para ganhar vale tudo. Vale tudo e muito mais desde que em defesa das benesses do poder – mansões, carros importados, mulheres bonita, iates, farras, viagens, enriquecimento ilícito, etc., etc., etc. e tal.

Até meados dos anos 80, urnas entupidas de votos desfavoráveis à turma do poder desapareciam, misteriosamente. A culpa? Acreditem, mas era do boto – mamíferos que vivem nos rios da região.

No lugar delas apareciam, também, misteriosamente, entupidas de votos só para a turma do poder. A culpa? Isso mesmo, do boto que, segundo velhos e sepultados coronéis de barranco, as emprenhavam.

Hoje, mesmo em tempos de urnas eletrônicas, “está tudo como dantes no quartel d’Abrantes”. Apenas os métodos forma trocados.

Sexta-feira, 19, por exemplo, a Polícia Civil prende em Codajás o traficante de nome Didi com drogas e a importância de R$ 18 mil.

Um tanto que atarantado, o desafortunado “Didi” balbuciou que o dinheiro foi entregue a ele, em Codajás, pelo candidato ao governo, Wilson Lima, apontado pelas pesquisas de intenção de votos com larga diferença em relação a seu adversário, Amazonino Mendes (PDT). Como, por telepatia? Quase impossível. Wilson Lima não esteve em Codajás.

Para o capitão PM Neto, eleito deputado federal, a história contada pelo infeliz Didi é sem pé nem cabeça (ver vídeo) e em tom irônico disse que a mesma parece com “aquela história que arranjaram sobre um filho para o Serafim”.

“Que história sem pé nem cabeça. Ao falar, o traficante parece que está sendo forçado. Como se buscasse resposta, ele olha para cima… sinal de mentira”, admite.