Fotos: Erick Bitencourt
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Foi de tirar o fôlego a apresentação do Boi-Bumbá Caprichoso na primeira noite de disputa pelo título de bicampeão do Festival Folclórico de Parintins em 2018. Com a temática “Ancestralidade – O Ethos do Saber Popular”, o espetáculo do azul e branco, executado na noite desta sexta-feira, 29 de junho, foi marcado por momentos surpresas como a participação especial da cantora paraense, Dona Onete, em dois momentos, e com aparição de homem voador ao final da apresentação.

Ao som de uma trilha de abertura, o apresentador Edmundo Oran, o levantador de toadas, David Assayag, tribos, totens, troncos, Marujada de Guerra, deram início ao espetáculo, com a entrada da primeira alegoria na arena, denominada “Árvore Ancestral”, dos artistas Aldenilson e Paulo Pimentel. Depois, da alegoria de Exaltação Folclórica “Terra – Mãe Ancestral”, do artista Nei Meireles, surgiu a Cunhã-Poranga, Marciele Albuquerque, como deusa Ceucy, a mãe Jurupari, deus dos povos indígenas do tronco aruak.

Em seguida, grupos folclóricos entraram na arena para composição do conjunto e o Amo do Boi, Prince do Caprichoso, tirou o primeiro verso da noite. A exaltação folclórica marcou a evolução do Boi Caprichoso, com o tripa Alexandre Azevedo, da Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, vaqueirada sucedida pela apresentação da “Diva do Carimbó Chamegado”, Dona Onete, que fez recitou versos em homenagem às mães, chamando David Assayag para interpretar a Toada, Letra e Música “Terra – Mãe Ancestral”.

Pela primeira vez na história do festival, os tuxauas evoluíram ao mesmo tempo com as tribos coreografadas. O ritual indígena, alegoria confeccionada pelo artista Júnior de Souza, em primeiro momento retratou a iniciação tariana e encerrou com a história de “Uauri”, o traidor, castigado por jurupari por ter profanado as leis ao revelar o segredo das flautas às mulheres. Um módulo do ritual indígena trouxe o pajé Netto Simões para evolução na arena, na qual a fantasia, assinada pelo artista Makoy Cardoso, reservava momentos surpreendentes de transformação em escorpião.

“O Caboclo Curador”, alegoria dos artistas Francinaldo Guerreiro e Alex Salvador, foi a Figura Típica Regional apresentada pelo Caprichoso, que revelou a Porta-Estandarte, Marcela Marialva. A execução da Lenda Amazônica “O Terror das Noites”, mostrou a influência da catequização dos povos indígenas, no início da colonização da Amazônia, que tornou o deus jurupari um espírito mal, uma espécie de demônio, em vez de ser um herói, considerado até então o pai da sabedoria ancestral da floresta, por instituir as leis.

A Rainha do Folclore, Brena Dianná, surgiu da alegoria para evoluir na arena, na qual representou personagens do folclore brasileiro. Nos minutos finais da apresentação, o Caprichoso contou com a participação de Dona Onete em uma dramatização do auto do boi e ainda teve um momento ápice com a aparição de um homem voador. Organização, segurança dos itens e a força da galera heptacampeã demonstraram que o Caprichoso fez uma apresentação firme na briga pelo título de bicampeão do festival de Parintins.


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