Carlos Jorge Cury Mansilla, 58 anos, acusado de causar lesões corporais e mutilar o corpo de pelo menos 15 pacientes em Manaus durante cirurgias plásticas e indiciado em março de 2013, pelo delegado Mariolino Brito, não é mais médico. Ele teve seu registro cassado na noite do último sábado (28) pelo Conselho Federal de Medicina por unanimidade e não tem mais direito de exercer a profissão de médico. Os conselheiros decidiram ainda que Carlos Cury não estava habilitado para atuar como cirurgião plástico.

No dia 29 de novembro do ano passado, na 11ª Vara Criminal do Fórum Henoch Reis, a juíza Eurinete Tribuzy ouviu algumas das vítimas do médico e suposto cirurgião plástico Carlos Jorge Cury Mansilla, acusado de mutilar e lesionar várias pacientes em Manaus.

Emília Alencar, uma das vítimas, foi depor mesmo tendo sido submetida uma intervenção cirúrgica e com a barriga um pouco aberta, pois foi retirada uma fístula que ficou encapsulada com bactérias por dois anos e meio em seu corpo. Após a cirurgia feita por Cury, ela disse que não deixaria de comparecer a audiência para ser ouvida.

O caso teve repercussão nacional em setembro de 2013 (mas desde 2010 algumas vítimas já o tornavam público), quando foi descoberto que o médico iria trabalhar no Programa Mais Médicos em Águas Lindas, Góias, município no entorno do Distrito Federal. Na ocasião, o Ministério da Saúde soube das denúncias e iria investigar a situação.

Segundo os jornais na época, o próprio médico assumiu não ter especialidade médica em cirurgia. Mas disse que trabalhou por 28 anos como cirurgião-geral do Hospital Regional de Guajará-Mirim, em Rondônia, onde realizou cerca de 20 mil operações.

Interdição

A interdição do CRM de Carlos Cury foi feita após a realização de auditorias e sindicâncias sobre as denúncias das mulheres de Manaus.

Para tentar se livrar da interdição do CRM e ter seus direitos de volta, Carlos Cury entrou com mandado de segurança com pedido de liminar no Tribunal Regional Federal da Primeira Região em Manaus, mas não teve êxito.

Em 23 de maio de 2014, o juiz substituto Érico Rodrigo Freitas Pinheiro, da 1ª Vara Federal, denegou a segurança mantendo a decisão do Conselho Regional de Medicina.

Carlos Cury recorreu a Brasília, mas também não logrou êxito. Em agosto do mesmo ano, o desembargador federal Carlos Amilcar Machado, ao consultar o sistema processual desta Corte, descobriu que o processo principal foi julgado em Manaus e disse que o recurso do médico perdeu o objeto por novação do título judicial.

Denúncias em 2010

Uma das primeiras a denunciar o suposto cirurgião plástico Carlos Cury foi a corretora de imóveis Dóris Areal, que também figura nesse processo que tramita 11ª Vara Criminal como vítima.

Em 2010, ela fez plásticas na face e nos seios, além de uma abdominoplastia, mas no dia seguinte sentiu o estrago. “Eu vi que eu fiquei deformada. Um olho estava mais baixo que o outro, mas ele disse que era a forma como eu tinha reagido a operação”, contou. Além disso, Dóris quase perdeu um dos seios. Só com reparos ela gastou R$ 130 mil, sem contar com os R$ 22 mil que pagou pelos procedimentos.

Vítima fatal

Contra Calos Cury pesa ainda, a acusação de ter causado a morte de Maria Suanisley Gomes da Silva, 58. De acordo com o filho da vítima, que pediu para não ter o nome revelado, no hospital onde a mãe foi internada não tinha Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“A cirurgia da minha mãe foi em 2011, mas ela teve complicações no pós-operatório e nem UTI tinha no hospital. Ela começou a apresentar secreções e todos os dias ele tinha que fazer drenagem nela”. Maria morreu em novembro de 2012.