Carlos Cury, acusado de mutilar mulheres em Manaus, volta a ser ouvido nesta terça e quinta pela Justiça - Fato Amazônico


Carlos Cury, acusado de mutilar mulheres em Manaus, volta a ser ouvido nesta terça e quinta pela Justiça

A juíza titular da 11ª Vara Criminal da Comarca de Manaus, Eulinete Melo Lima Tribuzy, interrogou na manhã de ontem (19), o ex-médico Carlos Jorge Cury Mansilla, em uma ação que tem como vítima a corretora de móveis, Doris Miriam da Cruz Areal. Na ação, ele é acusado de lesão corporal, depois de em fevereiro de 2010 realizar uma lipoescultura e uma abdominoplastia (procedimento cirúrgico estético)  na vítima, que não trouxe a beleza que ela procurava, mas a mutilação do corpo e depressão.

Nesta terça-feira, o ex-cirurgião retorna ao Fórum Ministro Honoch Reis será ouvido em mais dois processos. Nas duas ações, o médico também é acusado de lesão corporal.

Na quinta-feira (22), Carlos Mansilla está intimado a voltar ao Fórum para ser ouvido em mais um processo. Nesse dia, também será ouvida uma testemunha de defesa.

Audiências

Logo após a primeira audiência de ontem, Carlos Mansilla também foi interrogado em outra ação de lesão corporal que tem como vítima, Yara Glaucia Vieira Aguiar, depoimento que serviu para instrução de mais sete ações as quais, a pedido do Ministério Público, foram apensadas (juntadas) ao processo principal, visando facilitar sua tramitação, uma vez que se encontram na mesa fase processual. São, no total, mais oito vítimas, todas do sexo feminino, que também acusam o ex-cirurgião de lesão corporal.

Mais acusações

A doméstica Anatércia de Souza Santos, 55 anos, natural de Porto Velho, acusa Carlos Jorge Cury Mansilla, de mutilação que sofreu nos seus seios, cicatriz nos seus glúteos, além da eterna perda de sensibilidade em parte dos seios, e de deformidades que tem de conviver deixado após um procedimento cirúrgico realizado em 2013.

De acordo com a ação de Anatércia, ela pagou a a Carlos Cury a importância de R$ 11 mil em 2013 para fazer uma abdominoplastia. Depois, o médico ainda teria feito uma nova cirurgia para “tentar corrigir o erro”.

Carlos Cury Mansilla responde a 27 ações em primeira instância no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). Destas, 10 ações tramitam em Varas Cíveis, onde as denunciantes requerem indenização por danos morais; 17 ações tramitam nas Varas Criminais comuns, onde o médico cassado é acusado pelo crime de lesão corporal, lesão corporal grave e lesão corporal seguido de morte. No próximo dia 17 está prevista a realização de novas audiências de instrução de mais três casos envolvendo o réu Carlos Cury Mansilla, também irão ocorrer na 11ª Vara Criminal.

Registro Cassado

Carlos Jorge Cury Mansilla, acusado de causar lesões corporais e mutilar o corpo de pelo menos 15 pacientes em Manaus durante cirurgias plásticas e indiciado em março de 2013, pelo delegado Mariolino Brito, não é mais médico. Ele teve seu registro cassado em janeiro deste anos pelo Conselho Federal de Medicina por unanimidade e não tem mais direito de exercer a profissão de médico. Os conselheiros decidiram ainda que Carlos Cury não estava habilitado para atuar como cirurgião plástico.

Carlos Cury teve o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina no Estado do Amazonas (CRM) e, posteriormente, também pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Além de processos na área criminal, Mansilla tem contra ele processos na área cível, por meio dos quais as vítimas buscam indenizações pelos erros médicos a ele atribuídos.

Denúncias em 2010

Uma das primeiras a denunciar Carlos Cury foi a corretora de imóveis Dóris Areal, que também figura no processo que tramita 11ª Vara Criminal como vítima.

Em 2010, ela fez plásticas na face e nos seios, além de uma abdominoplastia, mas no dia seguinte sentiu o estrago.

De acordo coma ação, Dóris quase perdeu um dos seios. Só com reparos ela gastou R$ 130 mil, sem contar com os R$ 22 mil que pagou pelos procedimentos.

Vítima fatal

Contra Calos Cury pesa ainda, a acusação de ter causado a morte de Maria Suanisley Gomes da Silva, 58, que faleceu em 2012. De acordo com o filho da vítima, que pediu para não ter o nome revelado, no hospital onde a mãe foi internada não tinha Unidade de Terapia Intensiva (UTI).