Por unanimidade, os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro aprovaram o uso do VAR (árbitro de vídeo) em 2019.

A proposta foi apresentada pela CBF e votada pelos presidentes das equipes em uma reunião que aconteceu ontem (22/02), na sede da entidade, no Rio de Janeiro.

Após resistência dos clubes em arcar com os custos da tecnologia (avaliado no ano passado em R$ 50 mil por partida), a Confederação afirmou que pagaria pela implementação. Os times ficariam encarregados apenas dos custos dos árbitros de campo e dos operadores do sistema.

A Folha apurou que o custo será de R$ 348 mil por ano para cada equipe. 

A CBF informou aos clubes que ” assumirá, integralmente, os custos com tecnologia e infraestrutura, cabendo aos clubes apenas o pagamento das despesas com o capital humano, como ocorre, tradicionalmente, com as equipes de arbitragem”. 

Uma parte das equipes aceitava pagar pelo equipamento para evitar erros de arbitragem durante a competição. Mas havia os cartolas que diziam ser impossível incorporar tal gasto ao orçamento.

O VAR já foi utilizado no ano passado em competição organizada pela CBF. E teve papel preponderante. Na final da Copa do Brasil, entre Corinthians e Cruzeiro, o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães usou o recurso eletrônico para marcar um pênalti para a equipe paulista e lhe anular um gol.

O recurso, aprovado pela Fifa, também entrou em uso na Copa do Mundo do ano passado e influiu em decisões também na final. Graças ao vídeo, o juiz argentino Nestor Pitana assinalou pênalti para a França quando a partida com a Croácia estava empatada em 1 a 1.

Não foram divulgados detalhes de quantas câmeras serão utilizadas no Campeonato Brasileiro. Na Copa do Brasil, foram de 14 a 16, menos do que no Mundial da Rússia (entre 33 e 35).

O projeto original da CBF, elaborado pelo ex-árbitro Manoel Serapião Filho, lances considerados interpretativos, como marcação de pênaltis e faltas, não poderiam ser revistos. Apenas lances indiscutíveis, como impedimento ou se a bola entrou ou não.

“No protocolo original não existia essa possibilidade [de revisar jogadas interpretativas]. Nosso projeto não tinha monitor ao lado do campo. Mas no momento em que a Copa do Mundo colocou o monitor e também teve lances de interpretação, não poderíamos ficar na contramão”, afirma Serapião Filho. Ele também atua como supervisor de árbitro de vídeo para treinamento da CBF. 

Mas os clubes recusaram outra proposta da CBF, que era a de limitar a uma a troca de técnico para cada clube durante a competição. A maioria dos dirigentes considerou inviável e questionou como seria implantada em caso de demissão por justa causa, em caso de saída por decisão do próprio treinador e outros detalhes. 

Em votação, foi aprovado o limite de inscrição para 45 jogadores, sendo que cinco podem ser trocados no decorrer do torneio. Atletas das categorias de base até 20 anos não entram na restrição. 

(FOLHA DE S.PAULO)