CMM dá o pontapé inicial para a construção da central de abastecimento - Fato Amazônico

CMM dá o pontapé inicial para a construção da central de abastecimento

A construção de uma central de abastecimento de Manaus, antiga reivindicação dos feirantes da Manaus Moderna e do setor produtivo do Amazonas, pode sair do papel. O pontapé inicial para a nova arrancada de viabilização do projeto foi dado ontem (9), durante audiência pública no plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM), realizada por iniciativa do vereador Mário Frota (PSDB), que é presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) do Poder Legislativo Municipal.

Da audiência, que contou com a presença do secretário de Abastecimento (Sempab), Flávio Pacheco; do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Munir Lourenço; do presidente da Comissão Gestora da Feira da Banana, Moacir Cintrão; do presidente do Sindicato dos Feirantes do Amazonas, David Lima; e do presidente da Federação do Comércio Varejista do Amazonas, Elias Sereno, entre outros, saiu o consenso de que a criação da Ceasa Municipal é uma necessidade do setor. A Ceasa Municipal servirá de entreposto de produtos para comerciantes e produtores rurais da capital e do interior do Amazonas e desafogará as feiras Manaus Moderna e da Banana, que hoje executam essa função de forma precária.

De acordo com o vereador Mário Frota, será necessária a definição de uma área para a instalação dessa central de abastecimento de Manaus, além de uma reunião com o prefeito Arthur Neto (PSDB), no sentido de levar essa reivindicação. “Demos um grande passo na implantação da Ceasa Municipal. Manaus merece uma central de abastecimento. Chegou a hora de levar essa ideia em frente e envolver os governantes desta terra nesse projeto. O embrião da ideia está lançado”, destacou Mário Frota ao considerar a reunião muito produtiva.

A iniciativa já recebeu apoio do secretário municipal de Abastecimento, Fábio Pacheco, que, ao representar o prefeito na audiência, se colocou à disposição para, junto à Divisão de Engenharia, verificar os locais possíveis para a implantação do Ceasa Municipal. O secretário ressaltou que o prefeito tem escutado bastante a população nas visitas diárias que faz aos bairros e já ouviu o setor produtivo quanto a essa possibilidade, dando sinal verde para levar em frente às discussões sobre esse projeto.

Durante a audiência, que também contou com a participação de feirantes da Manaus Moderna e da Feira da Banana, no Centro da cidade, vários locais para a implantação da Central de Abastecimento foram sugeridos pelos participantes, entre eles, a Ilha de Monte Cristo, o Terminal Hidroviário do São Raimundo e até o porto da Siderama, além do próprio Porto da Manaus Moderna.

Segundo os representantes do setor, hoje a central de abastecimento dos feirantes funciona precariamente nas feiras da Banana e na Manaus Moderna, no Centro, que não comportam mais a produção que vem do interior e de outros Estados da região. De acordo com o presidente da Comissão Gestora da Feira da Banana, Moacir Cintrão, os feirantes já atuam espremidos no local.

Incentivo à economia

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Muni Lourenço diz que a entidade entende que esse entreposto é fundamental para que o Estado possa encurtar a distância entre o produtor rural e o consumidor final, barateando inclusive os custos dos produtos. “Acreditamos que a Ceasa venha a se tornar um entreposto aglutinador dos produtos, produtores, associações e cooperativas voltadas para a comercialização dos produtos no atacado”, argumentou ele, afirmando que são inúmeras as vantagens.

A iniciativa, na opinião do pecuarista, também é um incentivo ao Estado para sair da condição incômoda de dependência do Distrito Industrial de Manaus. “O Polo Industrial de Manaus é importante, mas precisamos viabilizar alternativas econômicas, para interiorizar a economia”, lembrou.

O ex-vereador Francisco Marques, convidado para o evento, além de parabenizar Mário Frota pela iniciativa, afirmou que Manaus tem bons locais para a instalação dessa central de abastecimento e indicou a Ilha de Monte Cristo, como o ideal.

A mesma área também foi o local ideal indicado do presidente do Sindicato do Comércio Varejista dos Feirantes de Manaus, David Lima, que defendeu um entreposto para atende os mercados e feiras de Manaus, que funcionaria acoplado às feiras da Banana e Manaus Moderna, na Ilha de Monte Cristo, nas proximidades. Para ele, a desapropriação da área seria quase sem custos para o município, caso ela venha a ser do Estado ou da União.

Discussão

David Lima só discorda da ideia do presidente da Comissão Gestora da Feira da Banana, Moacir Cintrão, quando este diz que essa central deve funcionar conjuntamente com os empresários do setor. “Essa central deve ser voltada não para o empresário, mas para o feirante”, assegurou.

Moacir Cintrão está convicto de que dá para os feirantes sobreviveram junto com o empresariado. Segundo ele, hoje 90% dos produtos vem de outros Estados para abastecer Manaus. “Com logística diferente acho que vamos trabalhar bem”, assegurou ao afirmar que essa central de abastecimento tem que ficar de frente para o rio, o que pode ser viabilizada na área de Educandos, nas proximidades da Feira da Panair.

Presidente do Sindicato e da Federação de Comércio e Serviços do Estado do Amazonas, Elias Sereno, disse que o assunto já vem sendo debatido há muito tempo com os feirantes. “Já existe projeto para a construção do centro de abastecimento na área da Manaus Moderna. Falta apenas a Prefeitura sentar conosco e com o Governo Federal”, afirmou, referindo-se ao Projeto de Construção do Porto da Manaus Moderna, pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT), que já possui recursos do governo federal no valor de R$ 200 milhões. “Bastam mais R$ 100 milhões e se constrói o entreposto na Manaus Moderna”, garantiu.

Sempab

Na discussão, muitos representantes do setor produtivo fizeram questão de deixar seus apelos em prol da manutenção da Secretaria de Abastecimento e Produção (Sempab), que com a reforma administrativa do Executivo Municipal, já em discussão na Câmara, será acoplada à Secretaria Municipal de Trabalho, Emprego e Desenvolvimento, passando a denominar-se Secretaria Municipal de Trabalho, Empreendedorismo, Feiras e Mercado (Semtef). Os feirantes acreditam que terão grandes prejuízos com a extinção da Secretaria.