Colégio Agrícola: um retrato do descaso na Vila Amazônia, em Parintins - Fato Amazônico

Colégio Agrícola: um retrato do descaso na Vila Amazônia, em Parintins

Quem vê a frente conservada da Escola Municipal Tsukasa Uyetsuka, na Vila Amazônia, em Parintins, não percebe a precariedade escondida por trás das salas de aula. Mato invade prédios de uma estrutura grandiosa e, inicialmente, inovadora, erguida na década de 1990. A obra concluída em 2001 é formada por um complexo de edifícios construídos para uma escola agrícola, porém, nunca chegou a ser utilizada para tal finalidade.

O terreno da escola compreende uma área de 370 hectares. Mais de 10 prédios circundam a escola e apresentam um completo estado de abandono. Oito pequenas ruas, tomadas pelo mato, levam às construções fechadas, depredadas, saqueadas e esquecidas.

A estrutura utilizada pela escola é formada por sete prédios: quatro pavilhões para salas de aula e três para administração e coordenação de projetos. O espaço onde funciona o educandário está em boas condições e, segundo a direção, todos os anos recebe reformas como pinturas e adequações. Devido o formato de pavilhões, o lugar é ventilado e iluminado. São 1.172 alunos do ensino infantil ao ensino médio, inclusive Pro-Jovem Campo. De acordo com o gestor Manoel Sebastião Soares, as demais estruturas apresentam precariedade.

Prédios abandonados

Logo atrás do educandário foram construídas duas casas para professores. As residências têm quartos, banheiros, sala e cozinha, mas o tempo de inutilidade as deixou sujas, precárias e tomadas pela vegetação. A rua que passa em frente às casas leva para mais três prédios, sendo denominados de salas ambiente: uma foi construída para cursos voltados para indústria e outra para agricultura. Ambas não funcionam. O terceiro setor era uma garagem para caminhões e maquinários da escola, que nunca funcionou. Professores e alunos do programa Mais Educação utilizam a sala para atividades socioeducativas.

A mesma via dá acesso a uma trilha que chega a mais três salas de aulas. São aviários encobertos pelo mato e esquecidos pelo poder público. Para o gestor Manoel Sebastião, as salas poderiam ser utilizadas para oficinas profissionalizantes, mas falta recursos e projetos voltados à revitalização do local.

Seguindo outra trilha, já que as ruas foram tomadas pelo mato, chega-se ao pavilhão da suinocultura. O prédio, dividido como estábulo, teve toda fiação elétrica e luminárias roubadas. Até a areia ao redor do local está sendo roubada e isso forma crateras em frente e ao lado do prédio e compromete a estrutura.

Entre os pavilhões uma quadra esportiva foi construída. Apenas parte do concreto é visível, o restante foi tomado pela vegetação. Para compensar a falta de espaço para a prática esportiva, os alunos improvisam campinhos de futebol de chão batido. Do outro lado da rua, enfrente à escola, a área que também faz parte do terreno escolar, foi construído um estábulo que seria utilizado nos estudos. Da rua vê-se apenas parte do telhado, já que o prédio foi engolido pela floresta.

A estrutura da escola se esconde no meio do mato e na falta de iniciativa política para administrar a potencialidade de formação educativa que o local possui. Desde 2001 a escola é utilizada apenas pela metade, enquanto que o complexo se perde com anos e anos de abandono.

Mais sobre o assunto

O gestor Manoel Sebastião assumiu a escola este ano e disse que uma de suas principais metas é revitalizar o máximo de áreas possíveis do complexo. Ele e a coordenadora pedagógica Jane Maria dos Santos conduziram a equipe do REPÓRTER na visita ao local. “Nosso maior pensamento hoje é iniciar essa revitalização a partir de mutirão, de convidar as famílias, alunos, professores, funcionários e tendo, lógico, o apoio do prefeito municipal”, disse o diretor.

A direção da escola se mostra interessada em aproveitar o espaço para realização de atividades socioeducativas e até profissionalizantes. Há interesse de formar parcerias com o Senar, Senac, Ifam, Indústria do Saber e demais entidades para promover cursos, oficinas e demais ações voltadas para alunos e a comunidade em geral.

A escola tem espaços que podem ser utilizados para cursos na área da agricultura e pecuária. O gestor afirma que a merenda escolar recebe alimentos da horta comunitária que é cultivada naquele estabelecimento de ensino e com o aproveitamento do espaço físico pode melhorar ainda mais. A direção da escola está mapeando a área, uma vez que nem eles têm conhecimento de toda a dimensão do terreno e dos prédios que lá existem. No sábado, 11, acontece um mutirão de limpeza na escola e nas pequenas ruas que ligam os prédios.

“O nosso pensamento é fazer um mapa de toda estrutura física. Tem muitas pessoas que não conhecem a Vila Amazônia, no que diz sentido a essa escola”, disse a professora. Ao lado do educandário é construída uma quadra esportiva coberta com recursos do governo federal e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Escolar (FNDE). A obra está orçada em R$ 507.572,58 e teve início em junho de 2012 para ser entregue em dezembro do mesmo ano, porém, deve ser concluída em junho de 2015.

Eldiney Alcântara/Repórter Parintins