O Conselho Central da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) decidiu ontem, (29/10), suspender o reconhecimento de Israel e encerrar a cooperação de segurança e as relações econômicas até que o país reconheça a Palestina como Estado, informou a agência oficial palestina de notícias “Wafa”.

Este órgão – também conhecido como Conselho Central Palestino – aprovou após uma reunião de dois dias, realizada em Ramala, na Cisjordânia, o encerramento das “obrigações da OLP e da Autoridade Nacional Palestina (ANP) relacionadas com os seus acordos com a autoridade de ocupação (Israel)”.

“A principal delas, a suspensão do reconhecimento do Estado de Israel até que reconheça o Estado da Palestina”, informou o conselho em comunicado.

A entidade também resolveu “interromper a cooperação de segurança em todas as suas formas e se desligar economicamente de Israel, porque a fase transitória, incluindo os protocolos econômicos de Paris, não existem mais”.

A decisão foi tomada “em vista da contínua negação de Israel sobre os acordos assinados e as obrigações subsequentes, e considerando que a fase transitória não mais existe”.

Em 1993 e 1995, israelenses e palestinos assinaram os Acordos de Oslo, que criaram uma limitada autonomia palestina e estabeleceram um período de interinidade de cinco anos para um acordo de status final entre Israel e a OLP.

O Conselho da OLP autorizou o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o Comitê Executivo a “darem andamento e garantirem a implementação” do que ficou estipulado nesta reunião de dois dias.

No encontro em Ramala, o Hamas foi responsabilizado pelo conselho da OLP pelo “descumprimento e a frustração de todos os acordos assinados” com o objetivo de selar a reconciliação com o partido nacionalista Fatah.

Tanto os movimentos Hamas e Jihad Islâmica como a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), a Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP) e o Partido de Iniciativa Nacional (Al Mubadara) boicotaram a reunião.

No encontro, a OLP alertou que os Estados Unidos, com o plano de paz preparado pelo governo do presidente Donald Trump, “quer separar a Faixa de Gaza da Cisjordânia, incluindo a eterna capital, Jerusalém Oriental, como parte dos acordos do século”.

Ontem, no começo da reunião, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que “Jerusalém e a Palestina não estão à venda”, se opôs a qualquer plano de paz que não contemple Jerusalém Oriental como capital palestina.

Na última reunião do Conselho Nacional Palestino, em janeiro, já tinha sido decidido que a OLP suspenderia o reconhecimento de Israel até que reconhecesse a Palestina como Estado com as fronteiras de antes da Guerra dos Seis Dias (1967), cancelasse a anexação de Jerusalém Oriental e interrompesse a atividade dos assentamentos judaicos nos territórios ocupados. (EFE)