O governo da Coreia do Sul lamentou que não tenha sido fechado um acordo completo na reunião entre Estados Unidos e Coreia do Norte nesta quinta-feira, 28, mas avaliou que os dois lados fizeram progressos.

O presidente americano Donald Trump e o ditador norte-coreano Kim Jong-un se encontraram em Hanói, no Vietnã, mas a reunião acabou sem declaração final e horas antes do programado.

“Lamentamos que o presidente Trump e o presidente Kim Jong-un não tenham podido chegar a um acordo completo”, afirmou o porta-voz do governo sul-coreano, Kim Eui-kyeom.

Apesar disso, Seul avaliou que as duas partes parecem ter feito “avanços mais significativos do que em qualquer outro momento no passado”.

Em entrevista coletiva ao fim da cúpula, Trump disse que tinha decidido se retirar da reunião porque o regime de Pyongyang queria que as sanções fossem suspensas “de forma integral”.

Trump afirmou que, em troca do fim das sanções, Kim ofereceu desmantelar o centro de pesquisa nuclear de Yongbyon, onde Pyongyang produz seu combustível para bombas atômicas. Washington não aceitou.

“Eles estavam dispostos a desnuclearizar uma grande parte das áreas que queríamos, mas não todas. Portanto, tivemos que nos retirar”, afirmou o presidente americano.

Os Estados Unidos, contudo, pretendem continuar com as negociações. Trump disse que Kim prometeu não retomar os testes balísticos ou de mísseis nucleares, mas disse que uma terceira cúpula com o norte-coreano não está planejada por ora.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, expressou seu apoio ao presidente a Trump por sua decisão de manter as sanções sobre a Coreia do Norte e de “não fazer concessões facilmente” a Kim Jong-un.

Progressos

Apesar da interrupção no encontro, contudo, muitos viram as negociações como um progresso. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, afirmou que houve “avanços reais” no encontro, e se mostrou “otimista”.

“Pedimos a ele que fizesse mais, mas ele não estava preparado para isso”, disse Pompeo, na mesma entrevista coletiva que Trump comentou sobre o evento.

Já o Ministério das Relações Exteriores da China disse que espera que o diálogo e a comunicação entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte possam continuar. O porta-voz do ministério, Lu Kang, afirmou em Pequim que ambos os lados mostraram sinceridade nas conversas.

A Rússia qualificou como “positivo” o fato de que, a julgar pelas declarações de Washington, o processo negociador entre Estados Unidos e Coreia do Norte não tenha sido suspenso.

“Entendemos por enquanto que as negociações não foram suspensas e isso, certamente, é positivo”, disse à imprensa o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov.

Ao mesmo tempo, o Kremlin afirmou que espera “mais detalhes” sobre o que aconteceu na reunião desta quinta para compreender as razões da falta de resultados na cúpula entre Trump e Kim.

Por outro lado, Peskov confirmou que “segue na agenda” uma reunião entre os líderes de Rússia e Coreia do Norte, para o que continue o “processo de coordenação com os colegas norte-coreanos através dos canais diplomáticos”.

Moscou e Pequim são aliados do regime de Pyongyang e já defenderam na ONU a redução das sanções americanas contra o regime norte-coreano.

(VEJA)