Para o deputado José Ricardo (PT), as informações do site são graves, precisa, ser devidamente esclarecidas

A conta fantasma 12.092-8, denunciada pelo “Fato Amazônico”, de titularidade do Governo do Estado do Amazonas, que o Bradesco movimentou com aplicações financeiras mais de R$ 53 bilhões (ver quadro), de 2013 a 218, não só repercutiu na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), mas causou espanto à edilidade daquele Poder Legislativo.

Para o deputado José Ricardo (PT), as informações do site são graves, precisa, ser devidamente esclarecidas, e disse que está encaminhando ofício tanto ao TCE e Sefaz, quanto a Controladoria Geral da União pedindo informações e cópias de documentos  que comprovem essas denúncias.

“O assunto é grave, a sociedade precisa ser informada a respeito dessa conta fantasma denunciada por um site. Que recursos são esses? Quem se beneficiou? Foi dinheiro aplicado pelo Estado em alguma ação ou só serviu para beneficiar empresários”? questiona o parlamentar.

De acordo com o extenso e consubstanciado voto do Auditor-Relator do TCE, Alípio Reis Firmo Filho, a Comissão de Inspeção Extraordinária do TCE identificou que conta 12.092-8, agência 3739, Bradesco, entre a Conta Única e os depósitos de pagamentos realizados aos fornecedores, não existe no Sistema de Administração Financeira Integrada.

Disse, também, o relator, que de acordo com as normas contábeis vigentes, não cabe o registro da conta 12092-8 como Ativo do Estado, pois trata-se de uma conta transitória, não controlada pela Administração e que dela não se espera benefícios econômicos.

A incorporação desse ativo na contabilidade do Estado, segundo Alípio Reis, representaria maquiagem da disponibilidade de caixa e distorceria diversas informações como, por exemplo, resultado nominal, dívida fiscal líquida e resultado financeiro.

Através da conta fantasma identificada pelo TCE, Bradesco movimentou, nos anos de 2014 a 2016, segundo dados apresentados pela Comissão, bilhões de reais, inclusive com aplicações financeiras em 2014 e 2015 em papéis de R$ na monta de 1.077.598.197,82 e resgate no mercado aberto na ordem de R$ 1.826.373,89.

Mouhamed Moustafa, por exemplo, dono do Instituto Novos Caminhos (INC) e protagonista da Operação Maus Caminhos, que investigou o desvio de mais de R$ 100 milhões destinado à saúde no Amazonas, recebeu R$ 6.687.238,50 e R$ 11.397.775,47. Antes, entretanto, antes de chegarem a Mouhamed, os quase R$ 20 milhões passaram, em forma de aplicação financeira, na conta fantasta 12.092-8, de titularidade do estado.

Bradesco movimenta em conta “fantasma” do estado de bilhões de reais; CGU e TCE querem saber quem lucrou com as aplicações