Denunciados pelo Fantástico, por contrato de R$ 1 milhão e esquema de compra de votos, continuam em alta com José Melo - Fato Amazônico

Denunciados pelo Fantástico, por contrato de R$ 1 milhão e esquema de compra de votos, continuam em alta com José Melo

O coronel Dan Câmara e o irmão do governador José Melo (PROS), o médico Evandro Melo, citados nas denúncias no Fantástico, da Rede Globo, o primeiro por ter firmado um contrato de R$ 1 milhão, supostamente fraudulento entre a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Sesg) e a Agência Nacional de Segurança e Defesa (ANS&D), de Nair Blair, e o segundo num esquema de compra de votos, continuam prestigiados e com seus cargos do Governo do Amazonas. O chefe do executivo, 24 horas depois das denúncias anunciou a criação de uma comissão para apurar o caso, mas o prazo de 30 dias já acabou e foi renovado por mais 15 que também já encerrou e até o momento a Controladoria Geral do Estado, responsável pela sindicância não apresentou nenhum resultado de onde foi parar o dinheiro.

A prova de que Dan Câmara continua prestigiado na administração José Melo, foi a participação dele no primeiro encontro oficial de trabalho do Comitê Olímpico em Manaus, onde a Prefeitura e o Governo do Amazonas se reuniram na última quinta-feira (23), para traçar estratégias integradas de segurança para as Olimpíadas de 2016. A reunião ocorreu na sede do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no Aleixo, zona Centro-Sul, e reuniu representantes de diversos órgãos que, juntos, trabalharão de forma integrada na realização dos jogos e demais eventos na capital amazonense.

Nair Blair, conseguiu um contrato em tempo recorde de R$ 1 milhão com a governo do Estado e o dinheiro já sumiu

Outro também em alta no governo é Evandro Melo, que continua dando ordens na administração e participando de todas as solenidades oficiais como da entrega de viaturas do Programa Ronda no Bairro, na última sexta-feira (24), lá estava o irmão e homem de confiança do governador José Melo, sentado, tranquilo e nem um pouco preocupado com as denúncias feitas pelo programa da rede Globo, há mais de 45 dias.

Comissão criada ainda não apurou nada

Um dia depois da denúncia do Fantástico ir ao ar, dia 8 de março deste ano, o governador José Melo, que não deu resposta ao programa da Rede Globo, anunciou a criação de uma comissão especial de sindicância para apurar o fato em 30 dias. O prazo acabou e o chefe do executivo não apresentou nenhum resposta, pelo contrário deu mais 15 dias de prazo para conclusão do apurado, este prazo já venceu e nada foi esclarecido pela Controladoria Geral do Estado (CGE) a respeito do contrato de R$ 1 milhão feito Dan Câmara, com Nair Blair.

Entenda o caso

O governador reeleito do Amazonas, José Melo (Pros), teve seu nome ligado a um esquema de compra de votos em reportagem exibida dia 8 de março deste ano no Fantástico. Pelo esquema, dinheiro público seria utilizado para a confecção de óculos (730 reais), para o pagamento de uma festa de formatura (5.300 reais) e a reforma de um túmulo (450 reais), todos negócios que contam com recibo. Em troca dos favores, eleitores corrompidos dariam seus votos para Melo.

De acordo com a matéria, as transações foram realizadas por intermédio do irmão de José Melo, Evandro, um dos responsáveis pelo projeto da Copa do Mundo em Manaus, e de Nair Blair, fundadora de duas associações sem fins lucrativos. Uma dessas associações, ao que parece, só existe no papel, já que a reportagem foi à sua sede, em Brasília, e não encontrou ninguém que confirmasse a existência da tal Agência Nacional de Segurança e Defesa, que recebeu R$ 1 milhão de reais do governo do Amazonas para "implementação de solução tecnológica em tempo real móvel" a dois dias do início da Copa, serviço solicitado em caráter de urgência no Centro de Segurança de Manaus pela Secretaria de Segurança para Grandes Eventos.

A Agência Nacional de Segurança e Defesa, de Nair Queiroz Blair, de acordo com a matéria foi indicada pelo coronel da PM, Dan Câmara, irmão do deputado federal Silas Câmara, aliado do governador José Melo, na reeleição, para receber R$ 1 milhão, por serviços prestados no período da Copa do Mundo, em Manaus.

Em dezembro do ano passado, Nair foi denunciada por crime eleitoral, depois que a Polícia Federal recebeu uma denúncia anônima sobre compra de votos que aconteceria na sede do comitê da campanha de José Melo. Dois dias antes do segundo turno, agentes da PF foram ao local e ouviram, de pastores e representantes religiosos presentes, que Nair era "milionária" e que falar com ela era "o mesmo que" falar com o governador.

Esta não é a primeira vez que Nair Blair tem problemas com a Justiça. Em 2009, ela chegou a ir ao Senado responder por desvio de dinheiro público na CPI das ONGs, que investigava uma outra organização criada por ela, a Angrhamazonica. E, no fim do ano passado, foi condenada a devolver 3 milhões de reais ao Ministério da Cultura, que contratou a Angrhamazonica em 2007 para organizar cinco eventos, no Brasil e no exterior, dos quais só um aconteceu de fato, o Réveillon de Brasília, em 2008, com apresentação de grupos folclóricos do Amazonas.

"O Ministério Público entende que realmente houve esse esquema de compra de voto", disse a promotora de Justiça Sheyla Andrade dos Santos. Ouvido pela reportagem, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Antonio Dias Toffoli explicou que o caso pode resultar na perda do mandato de José Melo, e também levar a um processo criminal. "No aspecto político-eleitoral, pode levar à perda do mandato daquele que comprou votos. E, no aspecto criminal, à condenação e prisão de até quatro anos de reclusão." Ainda segundo Toffoli, os eleitores também cometem crime ao vender seu voto em troca de bens e favores.