O deputado Jacob Rees-Mogg, líder do setor mais eurocético do Partido Conservador, confirmou nesta quinta-feira (15/11), o pedido ao seu grupo parlamentar para que a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa Mai, seja submetida a uma moção de confiança.

O político, que lidera cerca de 50 parlamentares do denominado European Research Group, informou que enviou uma carta com esta solicitação ao presidente do grupo parlamentar do Partido Conservador, Graham Brady, para promover a eleição de um novo líder.

Em entrevista coletiva no Parlamento britânico, o deputado afirmou que tomou esta decisão porque o acordo “técnico” de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) firmado por Londres e Bruxelas não é um verdadeiro “Brexit”.

Para Rees-Mogg, May não cumpriu nenhuma das promessas que fez a respeito do “Brexit”, como “deixar a união aduaneira, manter a integridade territorial e prescindir da jurisdição do Tribunal Europeu de Justiça”.

O político rejeitou se postular à liderança do Partido Conservador se conseguisse o mínimo de 48 cartas necessárias para iniciar a votação sobre a substituição de May.

“Não quero me candidatar como líder. Isto não tem nada a ver comigo, tem a ver com este acordo que não funciona”.

Perguntado pelos jornalistas sobre quem poderia ser um bom substituto para a “premiê”, o deputado citou os ex-ministros do “Brexit” David Davis e Dominic Raab, e o ex-ministro das Relações Exteriores, Boris Johnson, que renunciaram a seus cargos por divergências com a gestão de May.

Caso 48 deputados conservadores enviem tais cartas, o partido convocaria uma votação na qual os críticos da primeira-ministra deveriam somar mais de 158 votos (a metade dos 316 deputados “tories”) para iniciar um processo de eleições primárias.

Se essa votação acontecesse e May fosse a vencedora, o partido não poderia voltar a desafiar sua liderança em um ano.

Rees-Mogg antecipou hoje que acredita que serão enviadas as cartas necessárias para ativar esse processo, mas não fez uma previsão de quanto tempo isso levaria para acontecer.

A primeira-ministra solicitou ontem o apoio do seu gabinete ao acordo “técnico” de saída do Reino Unido da UE, e, no entanto, na manhã desta quinta-feira o ministro do “Brexit”, Dominic Raab, e a ministra de Trabalho e Previdência, Esther McVey, renunciaram a seus cargos por não concordarem com esse pacto.

(EFE)