Desrespeito pela vida de pacientes do Hapvida só não é maior que denúncias contra a operadora - Fato Amazônico


Desrespeito pela vida de pacientes do Hapvida só não é maior que denúncias contra a operadora

Indignação, essa é a palavra que resume o sentimento de várias famílias em relação ao plano de Saúde Hapvida que é alvo de várias denúncias por conta do mau atendimento e desprezo pela vida de seus clientes.

Com condenações pela falta de respeito com seus clientes, a operadora já é velha conhecida do Tribunal de Justiça do Amazonas.

A denúncia mais recente, vem da mãe de criança chamada Hadassa Bernardo Carvalho, de apenas 5 meses, que está com um caso de problema oftalmológico que começou com uma conjuntivite, e está se agravando porque, segundo o médico que se recusou a atende-la pela segunda vez, na Clínica de Olhos Opticenter, Hadassa não pode usar o plano para mais de uma consulta mensal, mesmo sendo caso de emergência.

De acordo com o pai da criança, Márcio Carvalho da Silva, a filha Hadassa, ele e a esposa Daiane Rodrigues Bernardo possuem o plano sem carência e há mais de um ano, e não entende porque não pode ser atendido na mesma especialidade mais de uma vez ao mês, mesmo se tratando de uma criança que está retornando.

Ainda segundo o pai, um funcionário do Hapvida usando o um tom de ironia diante a insatisfação do cliente, sugeriu que “cancelasse o plano”.

“Vou ter que levá-la ao hospital público, porque mesmo que demore, sei que haverá um atendimento médico”, desabafou o pai, se sentindo impossibilitado de recorrer ao serviço pago no valor de R$365,00 mensalmente, e assim, reestabelecer a saúde de sua filha.

Outros casos

Em 2013, a 9ª Vara do Juizado Especial Cível já havia condenado a mesma Hapvida e o Hospital São Lucas a pagar indenização de quase R$ 40 mil a uma usuária grávida por danos morais.

“A vida é o mais importante de todos os direitos, sem o qual não há que falar em nenhum outro direito. Como pode alguém prestar um serviço de saúde e demonstrar total menosprezo pela vida humana, tanto de uma mãe, quanto de um nascituro que estava para nascer, este fato trazido ao juízo é tão grave que dispensa qualquer consideração para provar que não foi um mero aborrecimento. Nesse sentido não tenho dúvida do ato omissivo proposital perpetrado por agentes dos dois réus”, escreveu o magistrado na sentença contra a Hapvida à época.

Em 2015, uma grávida passou três dias com feto morto na barriga e mais dois esperando o laudo para o sepultamento. A família acusa uma médica do quadro do hospital-maternidade da empresa de ser a responsável pela morte do bebê por conta de erro médico.

A condenação mais recente foi feita pelo juiz titular do 11º Juizado Especial Cível da Comarca de Manaus, Francisco Soares de Souza, que condenou a operadora por negar a oferecer atendimento a uma cliente que procurou assistência hospitalar, em caráter de urgência, depois que o filho, de 1 ano e 8 meses – seu dependente no plano -, foi encontrado com pedaços de vidro na boca e com suspeita de também ter engolido. A justificativa para negar o atendimento foi por atraso de seis dias no pagamento da mensalidade.

Na sentença, o juiz Francisco Soares da Silva, apontou que a negligência representou atitude inaceitável “por não prestigiar a vida do filho da autora, em detrimento ao formalismo de contrato (…) causando violento abalo emocional na demandante”. O magistrado condenou a operadora em R$ 30 mil, a título de danos morais “proporcional ao grau de culpa, às circunstâncias em que se encontra o ofendido e a capacidade econômica do ofensor”.