A renovação da Câmara dos Deputados veio das redes. Levantamento feito pelo Núcleo de Dados do GLOBO aponta que, dos 50 deputados mais influentes no Facebook, 27 — mais da metade — vão ocupar o cargo pela primeira vez. No grupo, destacam-se militares, entre eles aparece o deputado amazonense Capitão Alberto Neto (PRB), conhecido como fenômeno do Facebook. Por outro lado, na esquerda, os políticos mais influentes na rede são aqueles de carreira política estabelecida, como a atual presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

O Núcleo de Dados analisou as páginas dos 513 deputados eleitos, que contabilizaram 646,7 milhões de interações entre 1º de novembro de 2018 e 10 de janeiro de 2019. As páginas dos 50 mais influentes respondem por 91% das interações.

O Capitão Alberto Neto, eleito com mais de 100 mil votos, conta hoje com mais 690 mil curtidas em sua fan page no Facebook, onde posta ações policiais de todo o país.

PSL, partido de maior influência

O partido com o maior número de influenciadores é o PSL do presidente Jair Bolsonaro, com 12, seguido pelo PT, com dez. As duas legendas têm as maiores bancadas na Casa. O PSL é a sigla que teve o maior crescimento, quando saiu da marca de um eleito em 2014 para 52 ano passado.

O partido também tem a deputada com mais interações. Joice Hasselmann, de São Paulo, somou 13,7 milhões de curtidas, comentários e compartilhamentos em suas postagens.

No DEM, Kim Kataguiri, líder do Movimento Brasil Livre (MBL) eleito por São Paulo, e Luís Miranda, pelo Distrito Federal, são dois estreantes e os únicos nomes do partido entre os 50 mais influentes. Miranda mora nos Estados Unidos, ganhou popularidade com vídeos e usou massivamente a rede na campanha.

Para Fábio Malini, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, uma das estratégias para conseguir popularidade é a criação de um inimigo na política:

— Muitos criam uma cultura de odiar os adversários políticos. É um modo de fazer com que a audiência odeie o inimigo e vote nesse candidato.

Já as siglas do centrão — PP, MDB, PSD, PR e PRB — chamam atenção pelo descompasso entre as gordas bancadas e a baixa presença entre os mais influentes nas redes. (Com O Globo)