Em São Gabriel da Cachoeira escola indígena do governo do estado recebe combustível da paróquia para funcionar à noite - Fato Amazônico

Em São Gabriel da Cachoeira escola indígena do governo do estado recebe combustível da paróquia para funcionar à noite

Em visita a São Gabriel da Cachoeira (a 852 km de Manaus) na semana passada, o deputado Vicente Lopes (PMDB) esteve no distrito de Maturacá, a 150 km da cidade, onde uma escola estadual enfrenta problemas com a falta de combustível. Gestor da escola indígena Imaculada Conceição, o padre Reginaldo Oliveira contou que as aulas noturnas funcionam graças a ajuda da Missão Salesiana, porque o repasse de verbas do governo do estado não é suficiente para comprar óleo diesel usado no motor de luz.

“A escola tem boa estrutura, pela realidade que a gente vive, no coração da selva, como se diz. Temos 13 salas de aula, ginásio, duas salas regionalizadas (chapéu de palha) para aulas de apoio, três motores de luz. Nossa maior dificuldade é que não temos fornecedor local, aqui fica longe da cidade. Para trazer o combustível se gasta mil reais, para 900 litros de óleo diesel. Para dar um exemplo: ano passado, recebemos um adiantamento de R$ 4 mil de repasse. Fazendo as contas, dá para um mês de aula. E os outros dez meses? É a Missão Salesiana que ajuda. Mas eu não tenho como fazer a Missão gastar R$ 4 mil reais por mês com uma atividade que não é dela, mas da Seduc (Secretaria do Estado de Educaçao)”, afirmou padre Reginaldo, em depoimento gravado em frente a um chapéu de palha.

De acordo com o padre, a escola funciona nos três turnos. O curso de Ensino Médio tem três turmas (duas do primeiro ano) e a prioridade de energia é para as aulas noturnas, onde mal se consegue usar ventilador nas salas. Isso porque, dos três motores, apenas o menor é usado, exatamente para economizar óleo diesel. O motor de maior potência, que daria para ligar o ar-condicionado e ligar computadores também para uso dos alunos, gastaria mais combustível. Daí a opção pelo motor de menor potência. E enquanto a situação não se resolve, apenas os professores têm acesso a computador. O litro do óleo diesel custa R$ 3,50, segundo o gestor.

“Não temos recebido o apoio necessário. As salas de aula não têm ar-condicionado porque não tem combustível. Precisaria de um motor muito maior. Com um motor pequeno daria para usar ventiladores. Mas a paróquia não pode ter mil reais para usar numa atividade que não pertence a ela. O Estado é que poderia fornecer para nós, ver como viabilizar isso e atender nossos alunos. Temos três turnos e à noite são quatro turmas. São 300 litros de combustível e para ter aula de noite é preciso a colaboração da paróquia, do povo. As outras coisas estão funcionando normalmente. Mas, para melhorar as atividades com TV, Data Show (projetor multimídia) e outros computadores, precisamos de combustível. Por falta de energia, deixamos de realizar muitas outras coisas na escola”, disse o padre Reginaldo.