Em um ano, mais de dez mil crianças autistas receberam tratamento no Amigo Ruy - Fato Amazônico

Em um ano, mais de dez mil crianças autistas receberam tratamento no Amigo Ruy

No último dia 02 de abril foi comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Em Manaus, a data marcou também o primeiro ano de funcionamento do Espaço de Atendimento Multidisciplinar ao Autista Amigo Ruy (Eamaar), que tem ajudado pais a lidarem melhor no cuidado e acompanhamento dos filhos com o transtorno. Dos mais de dez mil atendimentos realizado ao longo deste primeiro ano de atividade, mais de quatro mil foram nos primeiros meses de 2014.

Marcos Vinícius, de 8 anos, é uma das 800 crianças cadastradas no espaço, que recebe regularmente acompanhamento por uma equipe multidisciplinar formada por especialistas em neuropediatra, psiquiatra, pediatras, enfermeiras, dentistas, fisioterapeutas, nutricionistas, além de profissionais de assistência social, fonoaudiologia, psicologia, pedagogia e educação física.

Há nove meses ele faz tratamento no Eamaar, que é ligado à estrutura da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) e conta com o apoio das secretarias municipais de Educação (Semed) e Saúde (Semsa). Nascido no município de Itacoatiara (a 176 quilômetros da capital), Manuelle Carvalho, 29, mãe de Vinícius, teve que se mudar para Manaus em busca de tratamento para o filho.

“Ele (Vinicius) era muito agressivo, não convivia em ambientes diferentes, não falava. Quando cheguei aqui no espaço ele estava em crise, era uma criança muito transtornada”, lembra Manuelle.

O quadro clínico de Marcos Vinícius se repete em, aproximadamente, 70 milhões de pessoas em todo mundo, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), e faz parte de um grupo de desordens do cérebro chamado de Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID), também conhecido como Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD).

A psicóloga do Amigo Ruy, Edneia Pontes, que acompanha o tratamento do Vinícius, explica que a incidência do autismo é maior em meninos, com uma relação de quatro meninos para uma menina autista.

“O autismo implica numa tríade de prejuízos. Afeta o comportamento, a interação e a linguagem do indivíduo. As famílias precisam identificar os primeiros sintomas e buscar consulta com neuropediatra ou psiquiatra, para que seja emitido um laudo. É muito importante que os familiares não busquem o diagnóstico na internet porque há textos disponibilizados que não espelham a realidade e podem levar os pais ao desespero”, alertou.

Evolução

Em nove meses de tratamento, a evolução de Marcos Vinícius foi significativa. Hoje, ele já frequenta a escola de ensino regular, em sala especial, e seu comportamento é elogiado pela professora.

“É um avanço a cada dia, cada minuto. Hoje meu filho fala, não usa mais mamadeira, não usa frauda. São vitórias que podem parecer bobas, mas que simbolizam a conquista do espaço do meu filho na sociedade. As conquistas que tive nesses nove meses foram tudo o que eu sonhei durante oito anos”, comemorou Manuelle Carvalho.

A psicóloga Edneia Pontes ressaltou que o diagnóstico precoce é fundamental no tratamento do autismo. “A intervenção precoce é o diferencial na vida da pessoa autista. Quanto mais cedo a família for assistida, mais possibilidades serão abertas para as crianças”.

O tratamento da pessoa diagnosticada com o espectro autista não é apenas uma questão de saúde. Envolve todas as áreas da vida: saúde, educação e assistência social, principalmente. Incluir a pessoa diagnosticada é uma questão de direitos humanos.

Desconhecimento

Marcos Vinícius foi diagnosticado com o transtorno do espectro autista com pouco mais de um ano de idade. No primeiro momento, a notícia foi um choque para os familiares. “Não tinha noção do que era o autismo, nem que médico podia procurar. Além disso, na minha cidade não tinha neurologista”, lembrou Manuelle.

Ela lamentou o fato de, ainda hoje, a falta de informação sobre o autismo gerar tantos preconceitos. “As vezes eles gritam, se jogam, quebram coisas. As pessoas acham que é tolice, que nós não sabemos educar nossos filhos. O preconceito dói demais. Só quem vive diariamente sabe o que é isso”, desabafou. “Ser mãe de uma criança autista é especial e o desafio maior é conscientizar a sociedade do que é esse transtorno”, concluiu.

Serviço

O QUÊ: Espaço de Atendimento Multidisciplinar ao Autista Amigo Ruy

ONDE: Rua 18, Alvorada 2, zona Centro-Oeste (por trás do Banco do Brasil)

CONTATO: 92 3656-4004