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A entrada do levantador de toadas, David Assayag, e do apresentador, Edmundo Oran, no alto de uma caravela, ao som de “Pesadelo dos Navegantes”, com a Marujada de Guerra, marcou o início da apresentação do Boi-Bumbá Caprichoso na segunda noite de disputa, com a temática “Encontros – Um Mosaico de Saberes”. Logo no começo, a galera mostrou que é a melhor do festival cantando as toadas “Chegada do Meu Boi”, na qual David Assayag concorreu como levantador de toadas, assim como o item Marujada de Guerra, seguida por “Turbilhão Azul”. Rômulo Vieira e Jhonatan Moreno, com cortejo de maracatu, representaram o quilombo urbano de São Benedito, de Manaus, quando ecoou a toada “Boi de Negro”.

A primeira alegoria da noite foi a Lenda Amazônica “Sissa – Uma História de Amor”, confeccionada pelo artista Algles Ferreira, que narrou o nascimento da flor das águas amazônicas, a vitória-régia, a partir da chegada da colonização espanhola nos Andes do Peru, com dramatização cênica e com aparição da Porta-Estandarte, Marcela Marialva. O pavilhão do Caprichoso foi conduzido pelo homem voador do meio da galera para a guardiã azul defender o item com garra. As tribos indígenas encenaram um encontro de culturas com “Parintintin – A Tribo” e “Odisseia Tupinambá”. A coreografia contou com a participação do pajé Netto Simões com a toada “Em Defesa Desse Chão”.

No repertório da galera, as toadas “Festança Multicultural”, “Amazônia Nas Cores do Brasil” e “A Cor do Meu País” fizeram a multidão cantar em uma só voz, enquanto a alegoria da Figura Típica Regional “O Seringueiro da Amazônia” era montada na arena para concorrer aos itens 15 e respectivamente 16. Do monumento do Teatro Amazonas, erguido no tempo áureo da borracha pela mão de obra nordestina, símbolo da nobreza do maior ciclo econômico da região, surgiu a Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, recebida pelo bailado caboclo e pelo primeiro verso do Amo do Boi, Prince do Caprichoso. A evolução do item 07 foi marcada pela coreografia da galera com sombrinhas nas mãos na arquibancada.

A alegoria da Figura Típica Regional se transformou em um cenário do Brasil colonial para a Exaltação Folclórica “Boi de Negro”. Bailado caboclo, maracatu e descendentes de negros maranhenses formaram o conjunto folclórico para David Assayag interpretar “Boi de Negro” como Toada, Letra e Música. A Rainha do Folclore, Brena Dianná, chegou na arena em cima de uma búfala de ouro, símbolo do orixá xangô, e representou a deusa yansã. De dentro do belezão, o Caprichoso alegórico gigante, veio o boi negro de Parintins para o tripa Alexandre Azevedo fazer evolução com todo “Sentimento Caprichoso”. 

O Caprichoso se afirmou como o Boi de Negro do Brasil e evoluiu com “Boi Brasileiro”, com a ancestralidade como ponto de partida para a revolução social e cultural do povo de Parintins. Os vaqueiros do Caprichoso foram chamados para a arena pelo Amo do Boi ao som do aboio “Alvorada Celeste”. A coreografia da vaqueirada e o Boi Caprichoso evoluíram para concorrer ao item organização do conjunto folclórico. “Imbatível Galera” e “Somos Marujada de Guerra” mostraram a força da arquibancada do Caprichoso, que estremeceu o Bumbódromo. A toada “Lagarta de Fogo” serviu de trilha para a evolução das tribos indígenas e coreografia, com a alegoria “Ancestralidade Sateré-Mawé”, do artista Geremias Pantoja. 

Do módulo lagarta de fogo, a Cunhã-Poranga, Marciele Albuquerque, surgiu para evoluir com a toada “Cunhã – A Criatura de Tupã”, cortejada pelo corpo coreográfico do momento tribal, com fantasia que, durante a dança, se transformou em arara. Os tuxauas também vieram de dentro dos módulos alegóricos luvas de tucandeiras para dançar o rito de iniciação Sateré-Mawé, a passagem do adolescente para a fase adulta. As tribos coreografadas fizeram um grande espetáculo cênico com a dança do ritual antropofágico tupinambá ao som de “O Cativo”. O Amo do Boi, Prince do Caprichoso, inovou ao recitar verso de improviso, cheio de desafio ao boi contrário, como citação a comissão de frente vinda do carnaval do Rio de Janeiro.

A alegoria da união artística, reconstruída em menos de 24 horas após ter módulos destruídos por fogo na concentração do Bumbódromo a um dia do início do festival, retratou a visão do pajé yanomami, Davi Kopenawa, sobre a profecia apocalíptica da destruição da terra, provocada pela corrida desenfreada por exploração mineral, principalmente por interferência da ação de garimpeiros. O ritual indígena transcendência yanomami, alegoria do artista Kennedy Prata, foi marcada pela aparição do pajé Netto Simões, montado em um módulo que se transformou em bicho. David Assayag encerrou a apresentação do Caprichoso com a participação do coral em libras, orquestra, e o violonista internacional, Sebastião Tapajós, cantando “Sensibilidade”. 


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