Enchente aquece economia formal e informal no município de Parintins - Fato Amazônico

Enchente aquece economia formal e informal no município de Parintins

A elevação do nível dos rios da Amazônia nem sempre traz sérios transtornos à população. O fenômeno natural também gera oportunidade para geração de renda. Nas últimas semanas, locais como Francesa, orla da cidade, avenida Paraíba e orla da União tem registrado aquecimento da economia formal e informal do parintinense. Com a cheia os barcos passam a ancorar nos locais citados e se tornam portas de entrada de pessoas vindas da zona rural de Parintins e até de outros municípios como Urucará, Barreirinha, Juruti, Nhamundá, entre outros.

A intensa movimentação atrai trabalhadores de diversas áreas como taxistas, mototaxistas, tricicleiros, navegadores, vendedores ambulantes, comércio fixo e outros comerciantes que aproveitam o período para ganhar um dinheiro extra. De sexta a terça-feira a circulação de pessoas, veículos e produtos é maior.

Movimentação

Na Francesa, o grande número de barcos vindos das comunidades Zé Açu, Vila Amazônia, Uaicurapá, e outras gera maior quantidade de pessoas. O taxista Abiezer Vinente, 52, confirma que na Francesa os lucros são maiores nesta época do ano. “A gente acompanha a movimentação das pessoas”, destaca.

Outro local que também recebe expressivo número de transeuntes é a orla da Cidade, enfrente aos Correios. Com a interdição da Praça do Cristo Redentor, os barcos e lanchas passaram a se concentrar entre o mercado e o local conhecido como Kais Bar. O mototaxista Igor Pinheiro, 31, aponta a orla da cidade como ponto de maior lucratividade para ele. O local é porta de entrada e saída de pessoas de regiões como Caburi, Mocambo, Paraná do Espirito Santo e outras comunidades do interior.

O porto improvisado na avenida Paraíba, Palmares, utilizado para atracação da balsa que navega no trecho cidade de Parintins/Vila Amazônia também apresenta grande fluxo de pessoas e, consequentemente, um comércio mais ativo. A gleba possui mais de sessenta comunidades e, diariamente, os comunitários vêm a Parintins. O comércio de bebida e alimentos registra melhoras durante a enchente. O vendedor ambulante Alexandre Sicsu, 22, revela que na vazante a movimentação de pessoas e do comércio passa a ser no posto Caçapava, Centro, local para onde se transfere a balsa.

A Rua Beira Rio, na orla do bairro da União, possui três flutuantes que passaram a funcionar de forma definitiva no local, pelo menos até durar a cheia. Centenas de barcos, lanchas, bajaras e canoas ancoram naquele ponto, que se tornou uma referência para embarcações que viajam para áreas próximas ao lago do Macurani e rios próximos. O pescador Francisco Sabá, 57, construiu um flutuante e mora ali há cinco anos. Além da pescaria pode contar agora com o comércio para aumentar a renda dele. “Melhora mais um pouco na enchente, depois que seca para mesmo”, afirma.

Além do grande fluxo de pessoas, outro ponto em comum entre os locais citados é a falta de melhor estrutura física. A orla da União é construída lentamente e está com trabalhos paralisados, assim como a Francesa. A avenida Paraíba, onde atraca a balsa, não está asfaltada e valas são formadas no chão de piçarra. A orla da cidade, no trecho entre a Praça do Cristo e o porto não está adequado para atracação de embarcações.

Eldiney Alcântara

Especial Para Repórter Parintins