Encontro debate papel da escola no combate à exploração sexual infanto-juvenil - Fato Amazônico

Encontro debate papel da escola no combate à exploração sexual infanto-juvenil

A violência sexual infanto-juvenil foi pauta de um debate realizado, na manhã de ontem, quarta-feira, 22, entre educadores. Promovido pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), o encontro deu largada às ações da Semana de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que ocorre no início de maio.

A ideia foi oferecer aos profissionais conhecimentos teóricos e práticos sobre a rede de proteção à criança e ao adolescente, composta por órgãos como o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e Conselho Tutelar.

Durante o evento, foram ministradas seis palestras que apresentaram as atividades já desenvolvidas pela rede de proteção e, também, o papel do professor na identificação de crianças que, possivelmente, estejam sendo vítimas de violência sexual.

“As crianças verbalizam por meio da brincadeira e o professor deve estar atento. Infelizmente, quando a criança é abusada, algumas se tornam abusadoras no futuro. Os professores têm o papel de observar isso, uma vez que estão diariamente com os alunos”, explicou a coordenadora do Creas, Ana Lúcia Mitoso, ao destacar a importância de observar os desenhos feitos pelos alunos e os brinquedos deles.

Uma das coordenadoras do Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil no Território Brasileiro (Pair) da Semed, Maria do Perpétuo Socorro Pereira, lembrou que a competência da secretaria é promover a prevenção ao problema e que, por isso, eventos como este são essenciais para o desenvolvimento de ações sobre o tema no ambiente escolar.

“A secretaria tem o objetivo de levar informação para que o problema não aconteça. O professor toma conhecimento, faz o registro e dá o encaminhamento para que essa denúncia chegue até a rede (de proteção) por meio do conselho tutelar. Para isso, ele tem que conhecer como funcionam os procedimentos. Esse evento se propõe também a isso”, explicou.

Percebendo casos

Um dos temas abordados na palestra da coordenadora do Creas, Ana Lúcia Mitoso, foi como o professor pode identificar crianças que podem ser vítimas de abuso sexual. A mudança drástica de comportamento é uma das principais características.

“As crianças abusadas tendem a ter baixa concentração e atenção, baixo rendimento escolar, sentimento de medo, ansiedade, isolamento social, agressividade, vergonha, entre outros sinais”, explicou.

Multiplicação

Coordenadora do Programa Saúde na Escola (PSE), da Escola Municipal Alexandrina Rodrigues, na zona Norte de Manaus, Juliana Arruda assistiu as palestras e acredita que o mais importante a fazer é compartilhar o aprendizado dentro da unidade de ensino. Ela já planeja uma reunião com professores e, posteriormente, com os pais para repassar as informações.

“Muitas vezes os professores têm essa interação com os alunos, passam isso para diretoria da escola, relatam os casos, mas a própria escola desconhece por meio de que órgão pode dar prosseguimento ao assunto. E esta orientação nós passamos por meio da palestra nesta manhã. Geralmente, quando assistimos a uma palestra como essa, fazemos uma reunião com os professores e programamos uma data para divulgar as informações para os pais”, destacou Alexandrina.