Para quem assume a função de liderar pessoas uma de suas preocupações é com a montagem da equipe de trabalho. Evidentemente que encontrar talentos em meio a uma multiplicidade de opções não é tarefa fácil. É como tentar encontrar agulha em palheiro.  Não sou um especialista no tema, mas arrisco alguns palpites.

Ao contrário do que muita gente pensa, não bastam bons currículos. Bons predicados profissionais pretéritos não são suficientes para indicar que esse ou aquele postulante seja o mais qualificado. É mais ou menos assim: um ótimo médico nem sempre será um bom professor de medicina. A função de ensinar exige qualidades que nem sempre estão presentes no exercício da profissão médica. Transferir conhecimento em sala de aula exige habilidades que não se fazem nos consultórios médicos. Identificar problemas de aprendizagem nada tem a ver com diagnosticar problemas no organismo humano. Sintomatologia não é sinônimo de didática. E vice-versa. Um ótimo professor de medicina não é garantia de um excelente profissional médico. São ambientes totalmente distintos. São experiências diversas, muito embora tenham o mesmo pano de fundo. O mesmo se diga de engenheiros, advogados, contadores, administradores e outros profissionais.

Outro aspecto que deve ser levado em consideração é quanto à harmonia da equipe. Membros talentosos e criativos não são garantia de sucesso. É preciso que todos falem o mesmo idioma e procurem objetivos compatíveis entre si que, no todo, alcancem os benefícios pretendidos. Equipes de trabalho (ou de governo) são como uma grande orquestra. Não basta que cada instrumento musical esteja afinado, pronto para oferecer o melhor de si. É preciso que ele atue na hora certa, complementando, reforçando e ressaltando o som produzido pelos outrosinstrumentos. Somente assim a música produzida será um bálsamo para os ouvidos.

Isso se torna mais evidente nos esportes coletivos.

11 Pelés ou 11 garrinchas em campo podem não ser garantia de sucesso. As vitórias não acontecerão na proporção esperada se não houver harmonia entre eles. É aí que o trabalho do técnico é fundamental. Um bom técnico consegue extrair o máximo de cada um em cada função, a fim de obter sucessivos êxitos. É como uma grande engrenagem. Um membro tem que se encaixar perfeitamente no outro. Para tanto, o comandante tem que conhecer com profundidade o que cada comandado pode oferecer de melhor para a equipe. Sem essa percepção básica não há como avançar.

Outro ponto muito importante para o sucesso de um trabalho em equipe é que o líder, isto é, o cabeça do grupo, tem de saber onde quer chegar. É necessário que ele tenha uma noção muito clara do caminho a ser percorrido, do que precisa ser feito e do que necessita ser realizado. Muitos líderes (melhor dizendo, muitos chefes) naufragam justamente nesse quesito. Desconhecem quase que completamente o terreno onde realizarão seu trabalho. Não possuem a intimidade necessária com ele, não sabem de suas particularidades e intimidades. O resultado é que não realizarão bonsofícios. A fim de contornar esse problema, muitos chefes de equipes deixam para seus membros definirem o que precisa ser realizado. Confiam inteiramente no talento, na experiência e na expertise de seus comandados. Essa, todavia, não é a melhor solução. Repetindo o que disse anteriormente, ainda que eu tenha um grupo de trabalho talentoso, é preciso que se diga o que cada um deva fazer. É preciso que cada membro tenha claro em sua mente onde ele deve chegar. As diretrizes gerais precisam ser traçadas. Do contrário, cada um fará o seu trabalho a sua maneira, do seu jeito, a partir do ambiente que encontrarem. O problema é que, muitas vezes, o trabalho a ser realizado por um membro dependerá do trabalho a cargo de outro (ou outros) membro. E aí? Se este último também não realizar o seu ofício os demais também não realizarão. Não preciso nem comentar o que pode acontecer. Já dá pra ter uma ideia do desastre.

Há uma grande diferença entre chefes e líderes. A diferença, aliás, é abissal. Talvez seja ela, inclusive, o ponto que separa o Primeiro do Terceiro Mundo.

Alipio Reis Firmo Filho

Conselheiro Substituto – TCE/AM