Escola municipal é destaque na realização de pesquisa e tem projetos aprovados pela SBPC - Fato Amazônico

Escola municipal é destaque na realização de pesquisa e tem projetos aprovados pela SBPC

O Amazonas teve três projetos selecionados para participar da 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que será realizada em julho, na cidade de São Carlos, em São Paulo, e dois deles são da Escola Municipal Deputado Ulysses Guimarães, na zona Norte de Manaus. O ‘Enamorado pela Vida’ e o ‘Socializando Saberes’ foram avaliados por uma banca de doutores da SBPC e escolhidos por suas relevâncias na sociedade.

O Enamorado pela Vida atua no combate às drogas. A ideia surgiu após o corpo docente perceber que havia um grande quantitativo de estudantes usuários de entorpecentes e que isso atrapalhava o aprendizado. A partir daí, foi firmada uma parceria com a Casa de Recuperação de Dependentes Químicos ´Chegai-vos a Deus, que atua na prevenção e na ressocialização dos drogados.

“Nós designamos um professor voluntário para alfabetizar as pessoas que hoje moram nessa casa de recuperação. O desejo da maioria deles é aprender a ler a Bíblia. Em contrapartida, eles enviam pessoas que conseguiram sair do mundo das drogas para testemunharem essa mudança de vida para os nossos alunos”, explicou o diretor da escola Ulysses Guimarães, Carlos André da Silva.

Já o Socializando Saberes trabalha na diversidade cultural e racial, valorizando a história do povo afrodescendente e indígena, atendendo a determinação das Leis 10.639, de 2003 e 11.645 de 2008, respectivamente, que tratam do tema no ambiente escolar. O projeto, inclusive, foi pauta de um dos programas do Canal Futura.

“Eles (do Canal Futura) ficaram sabendo que nossa escola já está atendendo a determinação da Lei 11.645. Então, em outubro do ano passado nós montamos uma Mostra e apresentamos todos os trabalhamos que desenvolvemos neste tema. Eles gostaram porque contamos as lendas por meio das toadas dos bois de Parintins”, lembrou Carlos André da Silva.

Ganho pedagógico

A Escola Municipal Deputado Ulysses Guimarães desenvolve, atualmente, dez projetos e tem 1.150 alunos matriculados, no 1° ao 9° ano do Ensino Fundamental e na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Eles são formatados a partir de problemáticas da própria escola. O professor observa, monta o plano de intervenção e aplica com os alunos. Cada trabalho envolve cinco estudantes.

Segundo o diretor da unidade ensino, os temas obrigatoriamente têm que estar em concordância com os conteúdos da proposta curricular da Semed, pois assim, tornam-se instrumentos de melhoria da qualidade do processo de ensino e aprendizagem.

“Os alunos têm uma motivação maior, até porque os projetos são trabalhados dentro dos próprios conteúdos da proposta curricular da Semed. Nada é isolado, é em conjunto. Eles ficam mais entusiasmados, o número de aprovação aumenta, a desistência e o abandono caem”, afirmou, lembrando que a didática de projetos influenciou na queda do índice de abandono escolar.

“Ano passado não registramos nenhum caso de abandono escolar no turno matutino e somente três no vespertino, mas foram por causa de mudança de domicílio. Isso em uma escola com mais de mil alunos”, concluiu.

Formando pesquisadores

De acordo com o diretor, a unidade escolar está se tornando uma espécie de faculdade para futuros pesquisadores. Carlos André destacou, ainda, que os alunos e professores “respiram” projetos e a escola desenvolve uma seleção interna para que os estudantes façam parte dos trabalhos, com direito a apresentação para uma banca de avaliação formada por professores. Segundo ele, toda essa dedicação tem trazido bons resultados e, no ano passado, dez projetos do colégio foram selecionados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Os participantes receberam bolsa para custear as pesquisas e executarem as ações. Em 2015, outros 10 projetos foram inscritos na seleção da instituição. A expectativa é que todos sejam aprovados.

“A Fapeam ainda não informou os trabalhos aprovados em 2015. Foram inscritos dez e acreditamos que todos sejam aprovados, porque são interessantes e atuam em uma problemática da escola”, observou o diretor.

Ainda segundo o gestor Carlos André Silva, a maioria dos alunos que concluem o 9º ano na Ulysses Guimarães, têm buscado escolas de Ensino Médio que também desenvolvam pesquisas. “Temos percebido essa preocupação deles (estudantes). Eles vão em busca de escolas que tenham a mesma linha que a nossa. Sinal de que está dando certo”, afirmou.