Silvia e Nickollas Grecco protagonizaram a cena mais emocionante do clássico entre Palmeiras e Corinthians no Allianz Parque

Esqueça Deyverson, Felipão, Jair Ventura ou Romero. O protagonismo do clássico entre Palmeiras e Corinthians, no último domingo (16), no Allianz Parque, ficou a cargo de dois personagens inusitados – que, em outros tempos, passariam despercebidos entre as cerca de 40 mil pessoas que lotaram o estádio alviverde para acompanhar o Dérbi válido pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Silvia e Nickollas Grecco foram responsáveis por uma das cenas mais emocionantes do futebol em 2018. Por volta dos 18 minutos do segundo tempo, quando o Palmeiras já vencia o maior rival por 1 a 0, uma das câmeras da transmissão do PFC flagrou Silvia narrando o jogo ao pé do ouvido de seu filho de 11 anos. Nickollas, jovem torcedor palestrino, tem apenas 10% da visão.

A imagem, é claro, rapidamente viralizou nas redes sociais e se transformou na grande marca do clássico que terminou com triunfo alviverde pelo placar mínimo. Nickollas foi convidado a realizar um tour no Allianz Parque na última terça-feira, e, nesta quarta, Silvia conversou com exclusividade com a reportagem da Rádio Jovem Pan.

Em emocionante entrevista ao Esporte em Discussão, a mãe de Nickollas se disse “surpresa com a repercussão” do fato e revelou que a deficiência do filho a fez desenvolver habilidades de uma locutora esportiva.

“Eu devo confessar que fiquei surpresa com a repercussão, até porque não sabíamos que estávamos sendo filmados”, afirmou Silvia. “Sempre que dá, estamos lá no Allianz Parque, assistindo ao jogo exatamente daquela forma. Algumas vezes, eu tento colocar o rádio para o Nickollas ouvir com o fone, mas ele gosta mesmo é daquela sensação de ouvir a torcida, de sentir o clima… Então, eu me tornei uma mãe narradora”, brincou.

Silvia, no entanto, não prima pela imparcialidade ao relatar os lances ao filho. Torcedora fanática do Palmeiras, ela admite que se deixa levar pela emoção ao narrar os jogos do Verdão para Nickollas. “É muito engraçado, porque eu falo também com a minha emoção de torcedora, né? Eu vou narrar, é lógico, as principais coisas do nosso time”, explicou.

“Eu tento falar detalhes para que ele possa visualizar com o coração o que está acontecendo. Por exemplo, no domingo, o Victor Luis (lateral-esquerdo do Palmeiras) estava com a camisa de manga comprida, e os demais, com camisas de manga curta. Eu falei isso para o Nickollas, e ele me questionou: ‘mas por quê? Está calor!’. Às vezes, eu conto coisas lúdicas para que ele possa entender o que está acontecendo”, afirmou. “A cada passe, eu vou falando, e assim vai… Eu vou passando a minha emoção para ele, e ele vai vibrando. É muito legal”.

Nickollas é palmeirense desde sempre, mas a presença no Allianz Parque, segundo a mãe, é imprescindível para que a chama da paixão se mantenha acesa. “Ele sente a emoção e vibra estando no estádio e ouvindo o grito da torcida. É onde ele mais sente aquela energia de mais de 40 mil pessoas gritando. É indescritível. Ele enxerga o jogo com a alma, com a pureza da alma”, finalizou. (jovempan esporte)