Autoridades do Escritório de Alfândegas e Proteção Fronteiriça (CBP) e do Departamento de Defesa dos Estados Unidos informaram nesta sexta-feira que as tropas permanecerão até meados de dezembro na fronteira entre a Califórnia e o México, como parte da Operação Linha Segura para lidar com as caravanas migrantes.

Este dispositivo monitora o percurso da grande marcha que partiu de Honduras em direção aos Estados Unidos em busca de asilo político e já está em curso há um mês.

As possibilidades de que pudessem ocorrer distúrbios prepararam o governo para “qualquer contingência”, declarou em entrevista coletiva Pete Flores, diretor de operações terrestres de CBP em San Diego.

Foi solicitado o apoio de 5.000 soldados na fronteira, incluindo 1.300 que desde ontem se instalaram entre San Diego (Califórnia) e Tijuana (México).

As autoridades podem considerar qualquer opção, inclusive, se for necessário, “suspender operações” ou “um fechamento completo” na fronteira, antecipou Flores.

“Se temos qualquer evento como o que vimos quando a caravana se moveu da América Central para o México, no qual acreditemos que se põe em risco seja os viajantes ou os oficiais, então tomaríamos os passos necessários para proteger a fronteira”, comentou.

Por sua parte, Jeffrey S. Buchanan, tenente-general da Marinha, ressaltou que se trata de uma operação temporária de assistência, e que neste caso a tarefa de fazer cumprir a lei recai na CBP, especificamente na Patrulha Fronteiriça.

Entre outras funções oferecerão apoio médico, uma polícia militarizada para proteger os próprios soldados e uma equipe aérea que ajude a que oficiais tenham melhor mobilidade na fronteira, acrescentou o militar, que disse que permanecerão no terreno até 15 de dezembro.

Após fracassar na sua tentativa de que a ONU lhes disponibilizasse transporte gratuito, os milhares de migrantes da caravana de centro-americanos acampados na Cidade do México decidiram hoje preparar-se para deixar este sábado a capital e retomar sua marcha a pé para os Estados Unidos.

Paralelamente, a segunda caravana de migrantes centro-americanos, formada por 2.000 pessoas que entraram no México em 29 de outubro, prosseguiram hoje seu caminho através do estado de Oaxaca em direção a Veracruz.

Além disso, uma terceira caravana originada em El Salvador deixou hoje o estado de Chiapas para adentrar em Oaxaca e seguir a mesma rota que os contingentes anteriores.

As autoridades americanas reiteraram que todo aquele que ingressar no país de forma irregular será detido e deportado, enquanto quem solicitar asilo através das portas de entrada receberá sua entrevista de “medo crível” por perseguição para determinar se é elegível.

“Gostaria que pensassem sobre segurança fronteiriça da mesma forma como uma casa; quando uma pessoa chega à sua casa deve tocar a porta principal e apresentar-se”, destacou Rodney Scott, chefe de setor da Patrulha Fronteiriça em San Diego.

Dado que o espaço de processamento é limitado e os EUA se preparam para receber uma onda de cerca 7.000 imigrantes, haverá coordenação com autoridades mexicanas para que o ingresso seja realizado em grupos reduzidos.

Enquanto isso, o resto do contingente deverá esperar sua vez em albergues da cidade mexicana de Tijuana, segundo planejam as autoridades americanas.

Alguns grupos defensores de direitos humanos têm se manifestado contra a presença de pessoal militar na fronteira em resposta à caravana.

“Preocupa muito que para uma crise humanitária estejam enviando tropas militares, que estão se preparando como se as nossas comunidades fossem um campo de guerra”, lamentou Pedro Ríos, diretor do Comitê de Amigos Americanos de San Diego.

“Embora digam que não têm funções de procurar leis, de todas formas vão estar armados, têm essa faculdade, estão preparados para a guerra e pode ocorrer uma tragédia”, criticou o ativista.

O presidente Donald Trump limitou hoje as opções para os solicitantes de asilo na fronteira com o México por meio de uma ordem presidencial que impede que esta proteção seja concedida a quem entrar no país de forma irregular. (EFE)