Faixa Azul faz a terceira vítima fatal em menos de 30 dias e população começa a chamar a via de “faixa da morte” - Fato Amazônico

Faixa Azul faz a terceira vítima fatal em menos de 30 dias e população começa a chamar a via de “faixa da morte”

Faixa azul ou faixa da morte. É dessa maneira que o corredor exclusivo de ônibus na Avenida Constantino Nery passou a ser chamado pela população depois da morte da Maria Núbia da Silva, 75 anos, atropelada ontem à tarde por um ônibus na Faixa Azul, frente à Escola Estadual Sólon de Lucena, no bairro Chapada, Zona Centro-Sul de Manaus, mas que veio a óbito no início da noite.

Com a morte dela, subiu para três o número de vítimas fatais nos primeiros 30 dias na área que é exclusiva dos ônibus do Bus Rapid System (BRS), criada pelo prefeito Arthur Neto (PSDB).

“Isso aqui ficou um absurdo atravessar. Os ônibus e os carros que são beneficiados com essa faixa só trafegam em alta velocidade. Não temos fiscalização”, disparou o eletricista Natalino Oliveira, 55 anos, afirmando que quando o passageiro solta do coletivo das plataformas tem de pular para via e arriscar sua vida para atravessar a Constantino Nery.

Para tentar acabar com a imprudência, o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) diminuiu até a velocidade para a máxima de 50 quilômetros por hora, mas de nada tem adiantado, sem uma fiscalização eletrônica, os veículos beneficiados com a faixa azul, ônibus, táxis e outros, trafegam em imensas velocidades.

O atropelamento

De acordo com testemunhas, por volta de 13h, Maria Núbia atravessava na faixa de pedestres localizada em frente ao ginásio poliesportivo Renê Monteiro quando foi atingida por um ônibus que trafegava na faixa exclusiva.

Maria foi atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e conduzida ao Hospital Pronto-Socorro João Lúcio, onde chegou com vida, mas por volta de 18h30, não resistiu aos ferimentos e morreu.

Outras mortes

O médico urologista João Leandro de Oliveira, de 69 anos, foi o primeiro a perder a vida na Faixa Azul. Ele foi atropelado por um táxi (veículo que também tem o benefício da tal faixa) em frente ao Empório Santa Fé. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Na época, um táxi modelo Idea, de placa OAA-6768, estava envolvido no acidente, mas o motorista alegou que o responsável pelo atropelamento guiava outro veículo.

O aposentado Orinildo, foi atropelado em frente a Arena da Amazônia na Constantino Nery

O aposentado Orinaldo Ferreira Lima, 59 anos, foi o segundo a perder a vida na avenida que possui a Faixa Azul. Ele foi atropelado por um ônibus do Bus Rapid System (BRS) de placa OAB 5615.

Via para táxi

A reportagem do Fato Amazônico depois de mais de três semanas da implantação da Faixa Azul voltou a Avenida Constantino Nery para captar umas imagens e mostrar aos nossos leitores como anda a utilização da via exclusiva dos ônibus do Bus Rapid System (BRS), mas por onde também podem trafegar, táxis, viaturas de polícia, ambulância e outros.

Ficamos impressionados com a quantidade de táxis que hoje são os mais beneficiados com a Faixa Azul, em alguns minutos que estivemos na Constantino Nery, tivemos a impressão de que a tal faixa é dos táxis e não dos ônibus.