A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (Susam), registrou o aumento de 126% no número de mulheres que receberam alta do serviço de mastologia, quando comparados os meses de janeiro a setembro de 2017 e de 2018. Em 2017, registrou-se 52 pacientes com altas. No mesmo período de 2018, foram 117 pacientes. A expectativa é que mais de 150 mulheres recebam alta até o final do ano. Os números se referem aos casos benignos e malignos atendidos pelo serviço.  

O aumento no número de altas de mulheres deve-se a um movimento iniciado há três anos pela unidade hospitalar, referência na região Norte no tratamento oncológico, com o intuito de diminuir o número de óbitos no Amazonas. A ação está alicerçada na Portaria do Sistema Único de Saúde (SUS) nº 1.008, de 30 de setembro de 2015, que trata sobre as diretrizes para o diagnóstico e o tratamento do câncer de mama no País. 

Conforme o chefe do serviço de Mastologia da FCecon, Gerson Mourão, com base na Portaria, constatou-se que o hospital tinha um quantitativo significativo de mulheres curadas ou mesmo de casos benignos, entretanto, continuavam como pacientes há mais de 15 anos, porque tinham medo de perder o vínculo. Ele disse, também, que se observou que a Fundação estava atuando nos atendimentos primário, secundário e terciário, ou seja, fazia a triagem, a biópsia e o tratamento da doença.  

“Com o objetivo de se adequar às normas estabelecidas pelo SUS, realizamos um movimento dentro da unidade, para sensibilizar as pessoas que a instituição é um hospital de alta complexidade, ou seja, atua no tratamento da doença, e que as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da Prefeitura são responsáveis pelo rastreio e as Policlínicas pelas biópsias”, explicou.  

Conforme o médico mastologista, a partir das medidas adotadas, foi possível diminuir o quantitativo de mulheres que permaneciam como pacientes da Fundação, mesmo após terem obtido a cura. “As ações permitiram a disponibilização de mais vagas e a diminuição do tempo de acolhimento e espera. O serviço de mama também adotou medidas voltadas ao atendimento humanizado da paciente, como a instalação do sino dourado, na última sexta-feira, 26, para comemorar e registrar a alta dos pacientes oncológicos”, pontuou.  

Protocolo pós-tratamento – A Portaria do SUS nº 1.008/2015 estabelece que as pacientes curadas devem ser acompanhadas por um período de cinco anos, por meio de equipe multidisciplinar. O exame físico deve ser realizado a cada três a seis meses para os primeiros três anos, a cada seis a 12 meses para os seguintes quatro e cinco anos, e depois, anualmente, quando passam a ser atendidas pelas UBSs, para realização de exames de rotina. 

Antes da obtenção da alta oncológica, a paciente realiza consultas médicas, exames de imagem, por exemplo, tomografia computadorizada, ressonância magnética, entre outros.  Os procedimentos são adotados para se certificar que a paciente obteve a cura da neoplasia.   

Impacto psicológico – Conforme a chefe do serviço de Psicologia da FCecon, Maria Graciete Ribeiro, ao receberem alta, as pacientes passam por um turbilhão de sentimentos, como medo, alegria, felicidade, surpresa e angústia. Ela explicou que muitas dessas mulheres desconhecem até mesmo que existe a alta, pensam que irão permanecer sendo atendidas durante 10, 15 anos pela FCecon.

“Esses sentimentos são normais. Isso ocorre porque as pacientes têm medo de perder o vínculo com a Fundação, com os médicos e com todos aqueles que durante anos prestaram atendimento. Elas temem não serem mais atendidas em outras unidades de saúde ou até mesmo pela FCecon. Todos os sentimentos são normais e com o tempo elas superam”, afirmou. 

Câncer de mama – Conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o tipo de neoplasia mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. Em 2018, a estimativa é de 59.700 novos casos. Existem vários tipos de câncer de mama, porém alguns evoluem de forma rápida, outros, não. A maioria dos casos tem bom prognóstico. O câncer de mama também pode acometer homens, mas é raro e representa apenas 1% do total de casos da doença. 

Prevenção – A prevenção não é totalmente possível em função da multiplicidade de fatores relacionados ao surgimento da doença e ao fato de vários deles não serem modificáveis. De modo geral, a prevenção baseia-se no controle dos fatores de risco e no estímulo aos fatores protetores, especificamente, aqueles considerados modificáveis. 

Detecção – A detecção da neoplasia é feita por meio do exame de mamografia, que é feito com prescrição médica e recomendado para as mulheres acima de 38 anos. O tratamento para a neoplasia envolve o tripé cirurgia, radioterapia e quimioterapia, os quais são ofertados pela FCecon.