Refugiados venezuelanos comem na Casa de Acolhida Santa Catarina, local a ser visitado pelo vice-presidente dos EUA, Mike Pence, em Manaus (AM) (Foto Bruno Kelly)
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O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, visita Manaus na quarta-feira (27), ele irá à Casa de Acolhida Santa Catarina de Sena, maior dos três abrigos que recebem venezuelanos vindos de Boa Vista (RR) pelo programa de interiorização do governo federal.

No local, administrado pela Cáritas, da Igreja Católica, moram 86 imigrantes, todos famílias com crianças. Trazidos de avião, dispõem de alojamentos recém-reformados, refeitório e assistência social.

Mas os 150 venezuelanos sob os cuidados da Cáritas são apenas uma fração do fluxo para a capital amazonense. A maioria está espalhada em casas superlotadas, abrigos temporários para sem-teto, locais de trabalho informal e até pelas ruas do centro.

Sem oportunidades na saturada Boa Vista (332 mil habitantes), são cada vez mais numerosos os venezuelanos que desembarcam em Manaus (2,1 milhões), a 1.008 km da fronteira com o país caribenho, via BR-174.

Só nos quatro primeiros meses deste ano, houve mais solicitações de refúgio à Polícia Federal na capital amazonense do que em 2017 inteiro (3.500 pedidos, contra 2.780).

Na rede municipal de ensino, o total de crianças venezuelanas passou de 102 para as atuais 319 (+213%).

A prefeitura faz agora um levantamento do tamanho da comunidade venezuelana, em parceria com o Acnur (agência de refugiados da ONU).

“Há essa demanda, mas não temos noção do volume que chega de forma espontânea”, diz Julieta Moraes, chefe do departamento de Proteção Social Especial do município.

Sem ter onde ficar, parte dos recém-chegados acaba dormindo na rodoviária e em praças do centro da cidade.

“Como Manaus é maior, se nota menos do que em Boa Vista”, afirma o engenheiro químico Francisco Lopez, 34, há três meses em Manaus.

Ex-funcionário da estatal petroleira PDVSA, conta ter dormido cerca de 20 dias nas ruas, experiência até então inédita para ele. “É muito difícil. Você não sabe quem são os outros, tem de fazer alianças sãs para se proteger”.

Atualmente, ele divide uma casa de um quarto com outros 11 venezuelanos e faz bicos como padeiro. Em breve, planeja se mudar para Vitória (ES), onde espera conseguir emprego na indústria petroleira.

Há também venezuelanos atraídos por ofertas de emprego que oferecem um lugar para dormir, como revelou a Folha. Em muitos casos, o alojamento e a alimentação são descontados do salário sem acordo prévio, caracterizando trabalho em condições degradantes.

Parte desse fluxo passa pelo escritório da Cáritas Arquidiocesana, no centro de Manaus. Ali, são atendidos, em média, 35 venezuelanos recém-chegados por dia. Os solicitantes de refúgio recebem orientações, assistência jurídica e têm acesso a serviços como aulas de português, mas não podem se cadastrar no programa de interiorização.

“O programa do governo federal deveria atender também os que chegam de forma voluntária a Manaus”, diz a assistente social da Cáritas Andreia Taniguchi.

Além das casas de acolhida da Igreja Católica, Manaus conta com dois abrigos da prefeitura que atendem apenas indígenas da etnia warao, originários do nordeste da Venezuela, num total de 200 pessoas.


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