Garotinho pede voto em aliados para não precisar “gastar dinheiro com compra” de deputados. Veja o vídeo - Fato Amazônico


Garotinho pede voto em aliados para não precisar “gastar dinheiro com compra” de deputados. Veja o vídeo

O ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, pediu aos eleitores que votem não apenas nele, mas também em seus aliados para evitar gastos com “compra de deputados”. “Não vote só em mim, vote no deputado que está do meu lado. Olha só: o cara vai votar em mim e vai votar num deputado estadual contrário, sabe o que vai acontecer? Depois eu vou ter que gastar dinheiro para comprar esse deputado”, disse Garotinho em declaração durante um programa de rádio de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, no domingo (28) (veja o vídeo abaixo).

“Como que vai fazer? Porque eu vou mandar uma lei, o cara não é do meu partido, e ele vai dizer assim: “Ah, não, eu para votar isso aí eu quero tanto”. Porque é isso que acontece hoje no estado”, explicou o ex-governador, que ressaltou ainda que, caso seja eleito, não quer ficar “refém” da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj). ”Prefiro até perder a eleição do que ganhar com um monte de deputado contra, para eu ficar refém. Eu não quero ficar refém. Como você vai dar voto com a mão direita e tirar com a esquerda?”, ponderou.

“Desculpa a sinceridade”

Garotinho disse ainda que não existe candidato mais preparado ao governo do Rio do que ele. “Não é o Garotinho que precisa do estado, me desculpa a sinceridade. É o estado que precisa de mim, porque não tem candidato preparado como eu.” As declarações do ex-governador foram publicadas no vídeo do programa no Facebook.

Governador do Rio entre 1998 e 2002, Garotinho esteve preso por três vezes no último ano e meio. Na última vez, ele foi solto graças a um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No fim do ano passado, Garotinho passou três meses preso em decorrência de investigações da Operação Lava Jato. Nas outras duas vezes a acusação era de liderar um esquema de compra de votos no município de Campos dos Goytacazes (RJ), na gestão de sua esposa, Rosinha Garotinho, que também chegou a ser presa. Ela foi solta em novembro do ano passado.

O ex-governador diz que é vítima de perseguição por ter denunciado o esquema de corrupção orquestrado pelo ex-governador Sérgio Cabral na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Cabral e três membros da cúpula da Alerj – como Jorge Picciani, presidente da Assembleia – estão presos.

A última investigação que levou à prisão de Garotinho detectou e atribuiu ao ex-governador os crimes de corrupção, concussão (vantagem indevida decorrente do cargo), envolvimento em organização criminosa e fraude na declaração de contas de campanha. Segundo inquérito conduzido pela Polícia Federal, a empresa JBS (Grupo J&F) fechou contrato irregular com um grupo sediado em Macaé, município do interior do Rio, para serviços de informática.