BRASÍLIA – As contas do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) fecharam mais um ano no vermelho e encerraram 2016 com um déficit primário de R$ 154,255 bilhões. O resultado foi o pior desempenho em toda a série histórica, iniciada em 1997, mas ficou com uma folga de R$ 16,2 bilhões em relação à meta que previa um saldo negativo de até R$ 170,5 bilhões no ano.

O valor também foi melhor que a previsão feita pela própria equipe econômica em dezembro, de um rombo de R$ 167,7 bilhões. O governo decidiu ampliar a quitação de restos a pagar no fim do ano, mas reservou parte do resultado para compensar o déficit fiscal esperado pelas empresas estatais em 2016. Amanhã, o Banco Central divulga o primário consolidado do setor público.

O resultado do Governo Central no ano passado ficou dentro das expectativas do mercado financeiro, mas foi melhor que mediana que apontava um déficit de R$ 164 bilhões, de acordo com levantamento do Projeções Broadcastjunto a 20 instituições do setor. O intervalo das estimativas estava entre déficits de R$ 173,900 bilhões a R$ 138,400 bilhões.

Em dezembro, o resultado primário foi de déficit de R$ 60,124 bilhões, o segundo o pior resultado da série para o mês, só melhor que o registrado em dezembro de 2015 (déficit de R$ 60,633 bilhões). O saldo do mês ficou dentro do estimado no Projeções Broadcast, que ia de R$ 79,900 bilhões a R$ 43,200 bilhões, com mediana de R$ 69,650 bilhões.

O caixa do governo federal recebeu R$ 2,847 bilhões em dividendos pagos pelas empresas estatais em 2016, cifra 78,1% menor do que apurada em 2015, já descontada a inflação. Em dezembro, as receitas com dividendos somaram R$ 1,082 bilhão, queda real de 83,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Já as receitas com concessões totalizaram R$ 21,907 bilhões em 2016, alta real de 245,4% ante 2015. Em dezembro, essa receita somou R$ 270,5 bilhões, alta real de 32,7% ante o mesmo mês do ano anterior.

Os investimentos do governo federal totalizaram R$ 64,925 bilhões em 2016, informouo Tesouro Nacional. Desse total, R$ 34,013 bilhões são restos a pagar, ou seja, despesas de anos anteriores que foram transferidas para o ano passado. Em 2015, os investimentos totais haviam somado R$ 55,532 bilhões, do quais R$ 37,224 se referiam a restos a pagar.

Já os investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ficaram em R$ 42,042 bilhões em 2016 queda real de 17,8% ante 2015. Em dezembro, as despesas com o PAC somaram R$ 10,125 bilhões, recuo de 22,7% ante o mesmo mês do ano anterior, já descontada a inflação.

Receitas

O resultado de 2016 representa uma queda real de 3,1% nas receitas em relação a 2015. Já as despesas tiveram queda real de 1,2% no ano. Em dezembro, as receitas do governo central recuaram 6,8% ante igual período de 2015, enquanto as despesas diminuíram 14,6% na mesma base de comparação.

Fonte Estadão