“Em fevereiro, denunciei na Câmara Federal a crise da saúde no Amazonas e fiz uma indicação ao Ministério da Saúde, junto com a bancada federal, para a antecipação da Campanha Nacional Contra a Gripe para março. Mas, até momento, o Governo Federal nada fez sobre essa situação calamitosa”, disse o deputado federal José Ricardo (PT), durante a Sessão Plenária desta terça-feira (26), ao cobrar do Governo Federal a vacinação contra o vírus H1N1 para o estado do Amazonas. Ele defende a antecipação urgente, já que no Amazonas já foram registrados mais de 300 casos da doença, com 24 mortes confirmadas.

José Ricardo lembra que na época da primeira denúncia, no mês de fevereiro, foram registrados no estado do Amazonas 149 casos de H1N1, sendo quatro mortes. Hoje, praticamente, o dobro de casos já foi confirmado e houve aumento significativo do número de mortes ocasionadas pela doença, mas o Governo Federal sequer enviou resposta. “Vejo um descaso com nosso estado. Mês passado solicitamos do Ministério da Saúde a antecipação das vacinas contra o vírus influenza, mas já estamos na metade do mês de março e até agora nada foi providenciado e a população amazonense está sofrendo. Enquanto isso, clínicas particulares em Manaus estão vendendo vacinas a peso de ouro”, destacou o parlamentar.

No mês passado, o deputado solicitou que o Governo Federal socorresse financeiramente e com urgência a saúde do Amazonas, por ser uma política fundamental e essencial à vida humana, diante do caos nessa área, com atrasos nos salários de servidores e demais profissionais, falta de materiais básicos e uma situação gritante, com terceirização que perpassou muitos governos e com desvios de recursos. Na ocasião, ele cobrou auditoria nos quase 1 mil contratos do Governo do Estado dessa área.

Denúncia no MPF cobrando do Governo Federal médicos para o AM

Dos 62 municípios do Amazonas, 23 estão sem médicos para a atenção básica, após a saída dos médicos cubanos, afetando 600 mil habitantes. Diante desse quadro preocupante, o deputado José Ricardo protocolizou nesta terça representação no Ministério Público Federal (MPF) denunciando esse descaso na saúde. Ele cobra providências para o restabelecimento e manutenção da assistência básica à saúde pelo Programa Mais Médico, preenchimento das vagas destinadas aos Distritos Sanitários Indígenas (Dseis) e realização do Revalida no ano de 2019, respeitando as sugestões dos brasileiros, médicos formados no exterior, para atuar no país com diplomas regularizados.

De acordo com o parlamentar, a falta de médicos nos Dseis é resultado da interrupção do convênio com os médicos cubanos, que atendiam pelo Programa Mais Médicos, nessas localidades mais afastadas da capital. “E mesmo com dois editais lançados no final do ano passado, o Amazonas ainda contabiliza 212 vagas não preenchidas. Regiões mais vulneráveis e de condições urbanísticas mais precárias”.