A recente decisão do Governo da China de legalizar o uso de chifres de rinoceronte pode ter “repercussões diretas sobre esta espécie em perigo” de extinção, denunciou nesta sexta-feira a organização ambientalista Greenpeace África.

“A decisão da China de reabrir o comércio de chifres de rinoceronte e ossos de tigre não só reativará a demanda de produtos provenientes do rinoceronte, mas também contribuirá para o aumento de outras atividades ilegais”, disse o assessor político para África do Greenpeace, Fredrick Njehu, em comunicado.

O Conselho de Estado chinês anunciou em 30 de outubro que estes produtos poderão ser usados “sob circunstâncias especiais”, embora “o comércio ou o uso de osso de tigre, chifre de rinoceronte e qualquer produto que os contenha deva estar acompanhado de uma permissão”, informou o jornal independente “South China Morning Post”.

O Greenpeace África afirmou no comunicado que suspender esta proibição, após 25 anos de vigência, “contradiz a liderança que a China demonstrou recentemente ao abordar o comércio ilegal de vida silvestre”.

Por este motivo, a organização pediu ao Governo chinês que mantenha a proibição sobre este tipo de comércio, “que foi tão importante para a conservação destas espécies icônicas”.

Também pediu ao Governo do Quênia, que conta com uma população de cerca de 750 rinocerontes negros, que aplique “medidas estritas para garantir a proteção e a sobrevivência destas espécies”.

O negro é, das duas espécies de rinocerontes que vivem na África (branco e negro), da qual menos exemplares restam.

A população diminuiu 98% da população entre 1960 e 1995, segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, por sua sigla em inglês), que estima que exista entre 5 mil e 5,5 mil exemplares no continente, sobretudo no leste e sul.

Outras organizações conservacionistas manifestaram nesta semana a inconformidade com a decisão do Executivo chinês.

O maior santuário de rinocerontes negros da África do Leste, situado no Quênia, definiu o estabelecimento da nova legislação como “devastador” porque “acrescentará uma pressão grave e praticamente anula os tremendos avanços conquistados na proteção de vida selvagem após a proibição do marfim no ano passado”.

A nova legislação estabelece que o osso do tigre e o chifre de rinoceronte para tratamentos médicos podem ser prescritos por médicos certificados pela Administração Estatal de Medicina Tradicional da China, segundo a decisão governamental.

Os produtos elaborados com chifre de rinoceronte são muito populares na China e no Vietnã, onde esta matéria-prima é associada ao êxito social, e de serem atribuídas propriedades curativas e afrodisíacas. (EFE)