Brett Kavanaugh, o indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a vaga em aberto na Suprema Corte, e Christine Blasey Ford, que o acusou de assédio sexual quando os dois estavam no ensino médio, afirmaram que estão dispostos a prestar depoimento no Senado, que avalia a nomeação do juiz, para esclarecer o caso.

A advogada de Christine, Debra Katz, afirmou em entrevista à emissora “NBC” que sua cliente está disposta a fazer o que for necessário para levar a denúncia adiante, o que inclui testemunhar sob juramento no Senado.

Já Kavanaugh divulgou um comunicado no qual afirmou que a acusação é “completamente falsa”.

“Nunca fiz nada como o que foi descrito pela acusadora, nem a ela e nem a ninguém”, apontou o juiz, que também disse estar disposto a depor no Senado para defender sua “integridade”.

Kellyanne Conway, uma das principais assessoras de Trump, disse hoje à “FoxNews” que Christine deve ser ouvida. “Ela não deveria ser insultada e nem ignorada”, disse.

Chuck Grassley, chefe do Comitê do Senado que avalia a indicação de Kavanaugh, explicou em comunicado que “qualquer pessoa que tenha uma história como a de Ford merece ser ouvida”.

O senador republicano informou que está trabalhando “para escutá-la de uma forma apropriada” e afirmou que o procedimento “padrão” estabelece que que sejam realizadas antes ligações telefônicas para o acusado e a denunciante.

No entanto, Grassley não se pronunciou sobre os pedidos de adiamento da votação no Comitê de Justiça para recomendar a indicação de Kavanaugh, marcada inicialmente feita para quinta-feira. As solicitações foram feitas por todos os democratas e os três republicanos que fazem parte do comitê.

Christine acusa Kavanaugh de atacá-la quando os dois estavam no ensino médico, na década de 1980. O caso surgiu depois de ela enviar uma carta à oposição democrata com as denúncias ao juiz.

O conteúdo do documento não foi divulgado inicialmente, mas os democratas o acharam relevante o suficiente para enviar a carta ao FBI, que seria responsável por investigar o caso.

Posteriormente, diferentes veículos de imprensa divulgaram que o texto tinha sido escrito por uma mulher, Christine, que afirmava ter sido vítima de um abuso sexual de Kavanaugh na década de 80.

O documento narra como em uma festa Kavanaugh, embriagado, se aproximou da suposta vítima e tentou abusar dela, tapando sua boca e aumentando o volume da música para poder silenciá-la.

Christine conseguiu se livrar do agora juiz e fugir, o que só foi possível devido ao nível de álcool que o então adolescente tinha no sangue, de acordo com a advogada, que considerou que, se não fosse por este fator, sua cliente teria sido estuprada naquela noite. (EFE)