Venezuelanos voltam ao seu país depois de comprar comida na cidade de Pacaraima, em Roraima, no Brasil, antes do fechamento da fronteira Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Escalado para ir a reunião de emergência do Grupo de Lima, na próxima segunda-feira, em Bogotá, para discutir a situação na Venezuela, o vice presidente Hamilton Mourão disse na quinta-feira (21) que uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela seria “fora de propósito”.

“Seria muito prematuro e muito fora de propósito os Estados Unidos realizarem uma intervenção militar dentro da Venezuela. A questão da Venezuela tem que ser resolvida pelos venezuelanos”, defendeu Mourão, contrariando a tese defendida pelo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, e do próprio presidente Jair Bolsonaro, que defendem e articulam uma intervenção militar contra o governo de Nicolás Maduro.

Para Mourão, as ameaças do presidente norte-americano Donald Trump “está mais no campo da retórica do que na ação”.

Sobre a decisão do presidente da Venezuela de fechar a fronteira terrestre com o Brasil a partir desta quinta, a dois dias da entrada anunciada da suposta “ajuda humanitária” no país pelos EUA, Mourão considerou que essa decisão para o Brasil “não significa um ato de agressão”.

“Vejo essa reação simplesmente para impedir que ocorra esse processo de ajuda humanitária”, destacou, esclarecendo que a Venezuela tem a liberdade de fazer o que quiser do seu lado da fronteira.

Maduro manda fechar fronteira com o Brasil

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fechou na quinta-feira, 21, o espaço aéreo do país e enviou blindados à fronteira com o Brasil para impedir a entrada de ajuda humanitária. Em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro manteve o envio de ajuda. Um deputado da oposição venezuelana postou fotos em sua conta no Twitter de caminhões do governo transportando veículos blindados do Exército na cidade de Santa Elena de Uairén, a 12 km da fronteira com o Brasil.

A decisão ocorre a dois dias de a oposição venezuelana iniciar uma operação de entrega de mantimentos enviados pelos EUA com ajuda brasileira e colombiana. “Decidi que, no sul da Venezuela, fica fechada completamente a fronteira com o Brasil, até segunda ordem”, disse Maduro, após reunião com o alto comando militar em Caracas.